terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O Cisne Negro e a Psicanálise

CISNE NEGRO
Um filme de Darren Aronofsky

O ballet “O Lago dos Cisnes”, de Tchaikovsky, é a história de uma princesa que se transforma em um cisne branco e precisa do amor de um príncipe para voltar à vida humana. O príncipe promete salvá-la. Porém, ele se apaixona pelo Cisne Negro, que possui um grande poder de sedução e diz ser a princesa transformada em cisne. O príncipe percebe o engano, e não podendo voltar atrás, e se suicida. O Cisne Branco, diante da sua dor, falece.

No filme, Nina (Natalie Portman) é uma bailarina que recebe o papel principal dessa peça, tendo que representar tanto o Cisne Branco quanto o Cisne Negro. Aqui, o filme já apresenta a questão da cisão, quando a mesma personagem irá representar o Bem e o Mal de modo cindido.

A figura do pai não aparece no filme. E a mãe mostra-se controladora, vivendo em simbiose com a filha. A relação entre ambas torna-se sádica e masoquista, pois uma vivencia o sintoma da outra. A mãe sente-se frustrada por abandonar sua carreira como bailarina diante do nascimento de Nina e projeta nela seu desejo de realização profissional, além de culpá-la pela impossibilidade de sucesso. A filha, por sua vez, assume essa posição, buscando a perfeição e o sucesso como bailarina.

Nina é perfeita para representar o Cisne Branco. Meiga, doce, técnica, perfeita. Mora com a mãe, num quarto cheio de bichos de pelúcia, demonstrando que sua sexualidade é infantil e imatura. Para conseguir interpretar o Cisne Negro, ela precisa se conectar com seu desejo e sua agressividade. Através de um olhar psicanalítico, pode-se aludir que o Cisne Branco é o superego, a imagem colada ao discurso da mãe: menina meiga. O Cisne Negro é o Id, o desejo, a busca pela satisfação do prazer. O ego de Nina é frágil e não consegue mediar o Id e o Superego. O Id aparece, em princípio, nas coceiras e arranhões quando Nina se fere, e mais tarde, nas alucinações e delírios devido a forclusão da formação de compromisso psíquico.

Para possibilitar a representação do Cisne Negro, o diretor Thomas Leroy (Vincent Cassel) provoca o desejo de Nina e a seduz. É a presença masculina que vem se interpor na relação simbiotizada entre mãe e filha. Surge, também, a bailarina substituta Lily, que representa para Nina o Cisne Negro, pois não é tão técnica, nem tão perfeita, porém muito expressiva e sedutora. A partir desse momento, Nina começa a entrar em contato com suas emoções e seus desejos. O ódio pela mãe vem à tona, porém torna-se insuportável devido à culpa. Permite que sua sexualidade seja explorada, mas surgem os conflitos da imaturidade. Então, o Id que adormecia, torna-se desperto, gerando um conflito sem possibilidade de mediação para Nina, que possui um ego tão fragilizado.

Na noite de estréia do ballet, há o desfecho fatal diante de um ego tão frágil. Na busca da perfeição e de realizar o desejo da mãe, Nina precisa representar ambos os cisnes. E assim o faz, com perfeição. Porém, ao representar o Cisne Negro rompe o contrato com sua mãe de filha meiga. Após entrar em contato com representações insuportáveis para si, Nina não encontrou recursos psíquicos para sobreviver. Em seu delírio, mata Lily, o Cisne Negro. Entretanto, percebe que não consegue destruí-la, pois o conflito é interno. Desse modo, a ruptura torna-se real e ocorre no corpo. O Cisne Branco morre, de fato.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dia das Crianças

Em homenagem ao Pitt, um canário-da-terra que viveu por 17 anos em minha companhia, atravessando minha infância e adolescência, aguei cores sobre papel. Em vida trouxe-me alegrias, e em morte, há tempos vivendo no Paraíso dos Pets, deixou-me lindas lembranças.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Vaidade na infância: faz bem ou faz mal?

Uma menina pode fazer a unha no salão de beleza toda semana? Minha filha pediu uma festa de aniversário no cabeleireiro, e agora? Meu filho só sai de casa se passar gel no cabelo! Muitas vezes, para os pais, lidar com essas questões e identificar quais são os limites não é uma tarefa simples, e muitas dúvidas surgem diante das diversas situações da vida de uma criança.
A vaidade na infância pode, ou não, ser saudável, dependerá do modo que se apresenta na vida da criança. Se essa vaidade ajuda a manter os bons hábitos de higiene, como lavar bem os cabelos, tomar banho cuidadosamente, escovar os dentes estará promovendo a saúde da criança. Mas, se a criança decide escovar os dentes dez vezes ao dia para ficarem mais brancos, há um exagero que poderá trazer dificuldades para ela e a família.

Faz parte do universo infantil os filhos se espelharem nos pais e imitá-los. Desse modo, as crianças podem viver diversos papeis e se prepararem para a vida adulta. Então, provavelmente não haverá maiores complicações se uma menina fizer a unha no cabeleireiro numa situação especial. Mas, se isso virar rotina ou se ela não puder brincar para não estragar as unhas, isso merece uma atenção especial dos pais. Se a criança deixa de brincar para não sujar a roupa ou para não despentear os cabelos, pode apresentar um excesso de vaidade prejudicial ao seu desenvolvimento.

É importante diferenciar uma brincadeira de se maquiar em casa, de ir à escola maquiada todos os dias. Os pais devem ensinar aos seus filhos o que é necessário e o que é supérfluo. A criança precisa aprender outros valores além da aparência física, e cabe aos pais ensinar.

Se já houver uma situação de vaidade excessiva instalada e os pais não conseguirem solucionar através do diálogo, é importante que procurem a ajuda de um psicólogo.

Claudia Finamore

terça-feira, 22 de março de 2011

Tatuagem não tem idade

A Psicóloga e Psicanalista Claudia Finamore (http://www.apoiopsi.com.br/) foi entrevistada por Patricia Diguê, da Isto É. (http://www.istoe.com.br/reportagens/104953_TATUAGEM+NAO+TEM+IDADE)

O que leva homens e mulheres a realizarem, na maturidade, o desejo de tatuar a pele

Executivo do ramo financeiro, Cláudio Lorenzetti, 68 anos, adiou por décadas o sonho de ter uma tatuagem por temer o preconceito principalmente no ambiente de trabalho. Este ano finalmente tomou coragem de entrar em um estúdio. Apesar das dores das agulhadas, saiu realizado com o rosto de Jesus Cristo desenhado no braço direito. “Sempre tive vontade de tê-lo aqui no meu corpo”, conta ele, atualmente consultor, que é um católico fervoroso. A esposa, Nilza, da mesma idade, não só aprovou a novidade como também aproveitou a onda e resolveu tatuar uma borboleta no pulso.

Depois de ter conseguido sair do submundo e conquistado as classes média e alta, agora a tatuagem também rompe a barreira da idade. É cada vez mais comum encontrar pessoas com mais de 60 anos nos estúdios e até famílias inteiras decorando o corpo. “Já tatuei um senhor de 80 anos”, conta Fábio Mancha, do estúdio Art Classic, de Santos, que tem percebido o aumento desse público nos últimos dois anos. “Atendo pelo menos duas pessoas por mês com idade entre 50 e 70 anos, a maioria mulheres”, comenta o tatuador.

O fato de os procedimentos terem se tornado mais confiáveis e menos dolorosos ajudou a quebrar o receio dos mais velhos, acredita o dono do Kiko Tattoo, Alexandre Rodrigues, do Rio de Janeiro. “Tatuagem não é mais uma coisa de gente maluca”, diz ele, que possui três lojas dentro de shopping centers cariocas. Esse público, porém, é mais exigente. “Eles só aderiram às tatuagens após o surgimento de equipamentos mais modernos, ambientes mais higienizados e bom atendimento”, afirma Rodrigues. Hoje, os estúdios sérios usam agulhas descartáveis, acessórios esterilizados e tintas de qualidade.

Guinadas de vida também encorajam os mais velhos a encarar a agulha. Só após se separar do marido, que não aprovava a ideia de a mulher ter uma tatuagem, a dona de casa Rosalee Macedo, 63 anos, decidiu fazer uma tattoo. A primeira, uma rosa no tornozelo, veio perto dos 50. A segunda, dois corações e as iniciais do nome no pulso, há dois meses, e a terceira, as iniciais dos quatro filhos, na semana passada. “Fica chique, me sinto mais bonita”, diz ela.

Aumentar a autoestima é a principal vantagem desse tipo de atitude, segundo a psicogeriatra Claúdia Finamore. “Uma pessoa nesta idade se sente mais livre para realizar uma vontade de longa data e isso é muito positivo”, afirma. Ela apenas alerta para que a vontade de parecer mais jovem não se torne uma obsessão. “Realizar um desejo é diferente de negar a idade”, diz. Segundo os tatuadores, não existem restrições para uma pessoa de meia-idade fazer uma tatuagem. E os cuidados logo após o procedimento são os mesmos, como a higienização com sabonete neutro, escondê-la do sol e não mergulhar no mar ou na piscina por um mês.

Foi justamente a sensação de se sentir “mais moleque” que levou o jornalista aposentado Sérgio Pisani, 70 anos, a fazer não somente uma, mas três tatuagens depois dos 60 anos. Ele tem dragões nos braços, um tubarão em uma perna e um símbolo do signo de Peixes na outra, feitos no estúdio Tattoo You, em São Paulo. “Eu achava as tatuagens feias, mas agora elas são feitas de uma forma mais limpa e são mais bonitas”, acredita.

Segundo o tatuador Sérgio Leds, da Led’s Tattoo, de São Paulo, é comum os filhos que se tatuam influenciarem os pais. “A gente atende a família toda”, diz Leds. É o caso da empresária Pinah Ayoub, 58 anos, famosa sambista dos anos 1970 que, quando era destaque da escola de samba Beija-Flor, dançou com o príncipe Charles na avenida. Há duas semanas, ela, o marido e a filha tatuaram o mesmo desenho – as iniciais dos três em símbolos romanos no braço. “Confesso que relutei um pouco, mas adorei o resultado, me sinto renovada”, diz Pinah. Nunca é tarde para realizar um desejo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Como manter o controle emocional

O Controle Emocional é a habilidade de lidar com os próprios sentimentos, adaptando-os conforme a situação e expressando-os de maneira saudável para si e para o grupo no qual está inserido.

O equilíbrio entre razão e emoção é o caminho mais adequado. Os excessos costumam trazer consequências prejudiciais às pessoas. A razão excessiva faz com que o sujeito vivencie e expresse pouco suas emoções, absorvendo para si toda a carga emotiva.

A pessoa mais sensível, que explicita seus sentimentos com facilidade, age por impulso e gera situações sociais desconfortáveis. O conhecimento das emoções e sentimentos do sujeito, bem como dos limites suportados é um primeiro passo para a busca do equilíbrio emocional.

Lidar com a emoção e a razão em proporções que levam o sujeito a colocar-se de modo saudável diante das circunstâncias vividas poderá trazer um modo de vida estruturado, adequado à sociedade e, principalmente, saudável para si mesmo.

Uma pessoa que é tomada pelas emoções, agindo de modo impulsivo, geralmente, envolve-se em relacionamentos conflituosos, perde oportunidades de trabalho, arrepende-se de suas atitudes, gerando tumulto em sua vida e na dos próximos.

Por outro lado, um sujeito que reprime suas emoções, não necessariamente estará utilizando só a razão para resolver suas questões. As emoções podem afetar suas decisões e posicionamentos diante da vida, porém os sentimentos não são expressos.

A falta de manifestação das emoções e dos pensamentos provoca dificuldades na comunicação com outras pessoas, decisões e atitudes pouco efetivas, dificuldades nos relacionamentos pessoais e sociais, e principalmente, a possibilidade de somatização da carga emotiva.

Essa nova geração de jovens adultos, de modo geral, foram crianças que expressaram mais suas emoções e seus desejos, o que é benéfico, pois puderam vivenciar sentimentos e entrar mais em contato consigo mesmo. Tiveram oportunidades de serem autênticos.

Porém, tiveram essa experiência com pouca capacidade de um adulto em impor limites, e até mesmo, saber lidar com suas próprias emoções diante das situações difíceis.

É uma geração que sabe lidar pouco com suas frustrações, mas que possui potencial para adquirir equilíbrio emocional, se assim se propuserem a buscá-lo.

Lidar com frustrações é sofrido e angustiante. Diante dessa dificuldade, muitos acreditam que o caminho é eliminar a emoção da vida. Mas, esquecem que, na tentativa de eliminar a emoção, além de não vivenciar frustrações, tristezas, angústias, ansiedades, também não se vive amor, carinho, alegria, felicidade, conquistas.

Porém, também as frustrações, sentimentos de injustiça podem atuar de um modo positivo, gerando força para mudanças de situações desagradáveis e sofredoras. A sociedade está buscando um ideal de sujeito que não é humano.

A emoção, como também a razão, faz parte do homem e de como ele se manifesta na vida, cada qual com sua singularidade. As diferenças enriquecem a vida e as pessoas, que podem aprender a viver com mais flexibilidade e se adequarem melhor às suas necessidades.

A medida do descontrole emocional é aquela que prejudica a sociedade e o sujeito. Se uma pessoa não consegue lidar com a frustração do trânsito e tem ataques de fúria, dirigindo de modo imprudente e cometendo crimes, coloca a sociedade em risco.

O sujeito que não consegue lidar com a discordância de seu pensamento, e perde seu trabalho por um comportamento impulsivo, coloca a si mesmo em risco.

Nesses casos, é necessária a busca de ajuda profissional. Uma terapia poderá trazer benefícios ao lidar melhor com suas emoções e sentimentos.


Texto da psicóloga e psicanalista Claudia Finamore publicado no site: http://www.minhavida.com.br/conteudo/11972-Como-manter-o-controle-emocional.htm

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Que tipo de pessoa você é?


Você é uma pessoa tímida, estressada ou inquieta?
Não saber lidar com essas características pode provocar dificuldades de socialização


Pessoas tímidas, irritadas ou inquietas podem sofrer consequências em suas vidas que dificultam o convívio social, se não estão preparadas para se relacionar com pessoas com características diferentes. Por isso, conhecer os tipos de personalidade ajuda a ter uma vida social mais ativa.

A timidez pode gerar consequências conflituosas para a pessoa, que poderá sentir dificuldades nas áreas da sua vida que necessitam de uma postura mais extrovertida. Muitas vezes, os tímidos buscam profissões com limitado contato com outras pessoas, em pequenas empresas, trabalhos técnicos. Sentem dificuldade para fazer amizades e nas conquistas amorosas. Enfim, as atividades que solicitam maior exposição ficam comprometidas.

Se na timidez a dificuldade é em estabelecer um contato, na irritabilidade o conflito encontra-se em manter uma relação equilibrada. A pessoa estressada, no sentido de facilmente irritável, e não no sentido da patologia do estresse, costuma aborrecer-se por qualquer inconveniente do dia-a-dia. São pessoas que se irritam no trânsito, na fila do banco, ao serem frustrados no trabalho, em casa. Esse tipo de comportamento também gera dificuldades nos relacionamentos, mas de outra ordem se comparada às pessoas tímidas.

A pessoa inquieta costuma ter um ritmo mais acelerado que a maioria das pessoas. Essa diferença de ritmo poderá provocar discórdias nos relacionamentos, seja no trabalho ou em casa, pois muitas situações da vida solicitam uma espera que é difícil para o inquieto suportar. Pode acontecer de uma pessoa inquieta vivenciar essa experiência com muita irritação, confundindo-se muitas vezes com uma pessoa facilmente irritável.

As pessoas podem tentar enfrentar por si mesmas essas dificuldades, buscando seus recursos internos para isso. Se a pessoa é tímida, poderá tentar se expor mais. Se ela é irritada ou inquieta, poderá tentar acalmar-se. Mas, isso não é simples, nem fácil. É necessário persistência e insistência. Cada qual encontrará sua própria maneira de se experimentar. Não há uma regra que sirva para todos. Até mesmo por que os limites são individuais, e cada um precisará reconhecer qual o seu próprio limite.

Cada pessoa poderá procurar atividades que se sinta relativamente confortável para treinar suas dificuldades. Uma pessoa com alguma timidez poderá sentir-se capaz de participar de aulas de teatro e isso ajudá-la, porém outra pessoa com essa característica poderá sentir tal experiência como uma tortura, afetando-a negativamente.

Do mesmo modo poderá ocorrer se uma pessoa inquieta ou irritada procurar aulas de ioga ou meditação. Poderá, ou não, ser adequado a ela. Essas escolhas são muito pessoais e devem variar. Cada um deverá experimentar e sentir aquilo que é possível para si. Caso essas características pessoais estejam atrapalhando a vida da pessoa, é importante que procure uma ajuda psicoterapêutica, para que haja compreensão do que ocorre e a possibilidade de criar novos recursos internos para lidar com suas dificuldades.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Como lidar com as amizades dos filhos

Até que ponto os pais podem interferir nessas escolhas

Publicado em 24/11/2010 no Portal Minha Vida
http://www.minhavida.com.br/conteudo/12440-Como-lidar-com-as-amizades-dos-filhos.htm

As amizades são importantes para o desenvolvimento psicossocial das crianças e possibilitam a aquisição de habilidades no convívio grupal. Esse contato social permite que a criança ou adolescente saiba mais sobre si mesmo e sobre o mundo. O aprendizado é construído na medida em que a criança amadurece, e nesse processo ela apreende noções como limites, respeito, semelhanças e diferenças, competição e solidariedade.

A criança nasce com parte de sua personalidade formada pelos traços genéticos parentais, porém esses traços mudam de acordo com o que a criança vive e com as relações que ela estabelece com o mundo. Tudo o que a criança observa, percebe ou interage irá, em maior ou menor grau, influenciar na formação da sua personalidade. Não se pode deixar de lado o modo como a criança interpreta o que vê e ouve, pois é a sua interpretação da realidade que influencia na formação da sua personalidade.

Seja na infância ou adolescência, os pais devem estar sempre atentos as amizades dos filhos.Os filhos devem ser educados com os valores escolhidos pelos pais desde a primeira infância, e não depois de crescidos, no momento em que precisarão fazer isso desses valores. Do mesmo modo deve ser ensinada a escolha de boas amizades - pelo exemplo dos próprios pais. Quando as crianças começam seus laços de amizades, lá pelos 3 ou 4 anos, os pais devem estar presentes, intermediando as relações dos filhos com seus amigos nos momentos de discórdias. Com o tempo, os pais devem se afastar um pouco, assim que perceberem que os filhos conseguem resolver sozinhos suas diferenças com os amigos. Durante a adolescência, a participação dos pais fica bem mais limitada, porém isso não quer dizer que devem distanciar-se. Nesses casos, o diálogo franco e aberto é o melhor caminho para lidarem com as escolhas de amizades dos filhos.

Seja na infância ou adolescência, os pais devem estar sempre atentos as amizades dos filhos. Conhecer os amigos, torná-los próximos da família e manter os limites de respeito não invasivo colaboram nessas relações. Os pais podem interferir nas amizades escolhidas caso percebam que elas são gravemente prejudiciais aos filhos. De qualquer modo, isso deve ocorrer através de um diálogo honesto entre pais e filhos.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Quando dizer "não" é necessário

Quando dizer "não" é necessário
Criado em Seg, 09/08/2010 05h00
Por Vila Equilibrio
http://vilamulher.terra.com.br/quando-dizer-nao-e-necessario-11-1-69-248.html

Não. Quanto significado cabe em uma só palavra. Apesar de carregar uma carga negativa (no sentido literal), dizer "não" também tem seu lado bom.

Podemos dizer "não" para os abusos, para a corrupção, para as injustiças. Agora, quando o assunto é negar um pedido a alguém, especialmente a uma pessoa próxima e que aparentemente precisa mesmo da nossa ajuda, tudo fica mais difícil. Como falar que não pode terminar um projeto urgente no trabalho porque combinou alguma coisa com seus filhos, por exemplo?

Parece brincadeira, mas muita gente ainda não sabe dizer "não" quando necessário. A psicóloga Patrícia Gebrim, que acaba de lançar o livro "Enquanto Escorre o Tempo" (Pensamento, 2010) explica que a razão para isso pode estar na criação de cada indivíduo. Quem recebeu, desde cedo, a mensagem de que deve agradar e se submeter às vontades dos outros para ser aceito, tende a aplicar isso em todos os relacionamentos que estabelece.

Exemplificando, essas pessoas podem ter recebido uma educação muito rígida dos pais e, por isso, ter acreditado que seriam abandonadas caso os contrariassem. Então, depois de adultas, continuam com essa ideia em seu íntimo. Assim, "acabam reagindo a parceiros afetivos e chefes como reagiam aos pais, tendo tendência a se submeter, a não contrariar, a agradar. Talvez isso tudo se passe de maneira inconsciente, o que torna mais difícil a mudança de atitude", diz Patrícia.

Porém, é bom lembrar que não dizer "não" significa um "sim" com consequências ruins, tanto para quem aceitou o pedido quanto para quem o fez. Na vida profissional, "um trabalho aceito em condições que não poderá ser concluído é prejudicial tanto para a carreira quanto para o chefe e a empresa", afirma a psicóloga e psicanalista Claudia Finamore (http://www.apoiopsi.com.br/).

O mesmo vale para a vida familiar: "Aceitar todos os pedidos do marido, além de frustrar a mulher em muitas situações e o casamento tornar-se uma fonte de tristezas e angústias, poderá prejudicar a relação do casal. E, não dizer "não" para os filhos é prejudicial na educação, pois não coloca limites, possibilitando relacionamentos do tipo vale-tudo", fala a especialista.

Além de fazer mal aos relacionamentos, a incapacidade de dizer "não" pode se manifestar no físico, através de doenças como gastrites, resfriados recorrentes, estresse, etc. Isso porque, quando dizemos um "sim" contra nossa vontade e para não frustrar o outro, acabamos frustrando a nós mesmos e acumulando sentimentos como raiva em nosso íntimo.

Por mais que desejemos esconder essas emoções, uma hora elas vêm à tona, de uma forma ou de outra, explica Patrícia. "Muitas vezes a doença acaba sendo a saída, um substituto para o NÃO não dito. Um exemplo seria uma pessoa que é convidada para dar uma palestra, acaba aceitando sem ter o real desejo de fazê-lo, e no dia é acometida por uma forte laringite que a impede de falar".

Para fugir dessa auto-armadilha e aprender a dizer "não", é necessário conhecer os próprios limites e saber o quanto pode negociar e ceder. "Saber o que significa dizer e ouvir não e como se sente em relação a essas situações é o primeiro passo para possibilitar alguma mudança", acredita Claudia.

Conhecer o que está na base dessa dificuldade em se posicionar também pode reverter o quadro, de acordo com Patrícia. "Com certeza a dificuldade de dizer ‘não’ está embasada por crenças distorcidas que a pessoa estruturou em seu passado. Ao trazer essas crenças para a consciência, é possível reformulá-las de maneira a respeitar mais a individualidade da pessoa".

Embora para a maioria das pessoas seja simples negar algo que não conseguirão realizar de uma maneira satisfatória, isso pode ser um desafio para outras. Portanto, há casos em que é melhor procurar a orientação de um psicólogo, para que, aos poucos, o paciente consiga se soltar e aprender a respeitar a si e seu espaço pessoal. Muitas vezes, dizer "não" aos outros é dizer "sim" a você mesmo.

Por Priscilla Nery (MBPress)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Agressores e vítimas de bullying têm pior rendimento na escola


Estudo descobriu que a vítima típica de bullying também tende a ser agressiva


Crianças e adolescentes com problemas de aprendizado na escola têm maior risco de se tornarem agressores, vítimas de bullying ou ambos, de acordo com nova pesquisa publicada pela American Psychological Association.

O estudo realizado pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, analisou 153 estudos dos últimos 30 anos. Mais do que qualquer outra tendência, o desempenho escolar prevê quem vai intimidar. O autor da pesquisa, Clayton R. Cook, PhD, da Louisiana State University diz: "Esperamos que esse conhecimento nos ajude a compreender melhor as condições em que o bullying ocorre e as consequências que pode ter para os indivíduos. Finalmente, será possível desenvolver melhores estratégias de intervenção para interromper o ciclo de agressões antes de começarem."

Os pesquisadores descobriram que a vítima típica de bullying tende a ser agressiva, com poucas habilidades sociais, pensamentos negativos, têm dificuldades em resolver problemas sociais, vem de famílias pouco estruturadas e são visivelmente rejeitados e isolados pelos colegas.

O típico valentão vítima também tem atitudes negativas, com problemas com interação social, não tem boas estratégias sociais para resolver problemas, baixo desempenho na escola e não é apenas rejeitado e isolado por seus pares, mas também é influenciado negativamente pelos colegas com quem ele ou ela interage, de acordo com o estudo .

Os autores descobriram que as crianças agressoras eram mais desafiadoras e agressivas, ao passo que os adolescentes eram deprimidos e ansiosos. E as vítimas adolescentes sofriam de depressão coma maior frequência. "É importante intervir com os pais, colegas e escolas ao mesmo tempo", disse Cook. "A formação comportamental dos pais pode ser usada em casa, enquanto a construção saudável do relacionamento entre colegas e de competências de resolução de problemas poderiam ser oferecidas nas escolas, juntamente com a ajuda de acadêmicos."

Os fatores que instalam e mantém essa violência são muitos e complexos. Desde a perda da autoridade paterna e a dificuldade de diálogo, passando pela alienação da escola, até a violência urbana. Mas, não podemos negar que uma boa parte desse problema se origina dentro de casa. "O pior e o melhor da natureza humana coexistem dentro de cada um de nós. Os sentimentos mais primários (ódio, inveja) convivem com os mais elevados (solidariedade, lealdade, compaixão). O que determina o caminho que essas potencialidades vão tomar são as possibilidades de transformação dos impulsos primários e a existência de canais adequados para dar vazão a eles", de acordo com a psicóloga Claudia Finamore.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O preço da sociedade moderna

Vagando entre o que se pode e o que se deve atingir

Publicado em http://www.minhavida.com.br/conteudo/10161-O-preco-da-sociedade-moderna.htm

Como ter uma barriga tanquinho, perder 20 kg em 3 meses? Como conseguir uma promoção no trabalho em menos de um ano, ter orgasmos múltiplos? Como eliminar a birra dos filhos em uma semana? Quais os dez segredos para o sucesso? Como preparar um jantar inesquecível em 30 minutos?

Essas e outras perguntas indicam o que se espera de uma pessoa na sociedade atual. É preciso ter beleza, dinheiro, informação, inteligência, esperteza, motivação, rapidez. Não há espaço para a reflexão, tristeza, introspecção, doença, acomodação, como se nada disso fizesse parte da vida e do ser humano. Essas situações e esses sentimentos são sinônimos de horror, e quem a eles cede ? como se fosse uma opção racional ? é visto como uma pessoa com distúrbios, que não enxerga a vida como ela é: alegre, agitada, a mil por hora.

É penoso para a sociedade aceitar a diferença, e o modelo que se busca atualmente é um ideal inatingível, uma suposta felicidade que nunca se alcança, uma eficácia plena nas diversas áreas da vida: social, familiar, profissional, financeira, física, lazer, ecológica. O perfeito é pouco.

Essa obsessão com a imagem e o desempenho cria muitos problemas para a sociedade, provocando graves distúrbios comportamentais. Alguns exemplos são depressão, ansiedade, anorexia, bulimia, excesso de peso, hiperatividade e distúrbio de atenção, como também, estimula o uso de álcool, drogas ? lícitas ou não ? e tabaco.

Um olhar crítico para essa situação é um importante caminho para a aceitação das diferenças, das singularidades e da liberdade. A moderação e a autonomia para buscar o que lhe faz bem é a direção para alimentar o amor próprio e conquistar uma vida mais saudável.


Claudia Finamore

terça-feira, 25 de maio de 2010

Vaidade e Envelhecimento

Artigo escrito pela psicóloga e piscanalista Claudia Finamore (http://www.apoiopsi.com.br) para o site Minha Vida
(http://www.minhavida.com.br/conteudo/11299-Vaidade-e-envelhecimento.htm).




















Vaidade e envelhecimento
Por que a beleza está associada a juventude?
Publicado em 13/5/2010

A vaidade boa e a vaidade má

A vaidade, na Psicanálise, está ligada ao conceito de narcisismo. Mas, para facilitar o entendimento e evitar uma exposição teórica, vamos falar de forma mais simples. A vaidade é natural do ser humano. E quando em equilíbrio, promove a saúde e o bem estar do sujeito.

Uma vaidade diminuída também tem suas conseqüências, pois o sujeito disponibiliza poucos cuidados para si. Entretanto, de modo geral, nossa sociedade encontra-se num momento de vaidade excessiva. A sociedade moderna busca a felicidade.

Este é o valor de maior importância da atualidade. As noções de beleza e juventude estão atreladas à felicidade, e por isso, tão valorizadas. Agora, os exageros, sejam para mais ou para menos, podem representar questões psíquicas que estão em desequilíbrio, em desarmonia, e surgem como sintomas no excesso de vaidade.

O apego à juventude é um modo de negar o envelhecimento.Aprendemos na infância
Os contos de fadas procuram estabelecer o valor moral do bem sobre o mal. É a princesa boa, que é judiada pela madrasta má. E no final da história, a felicidade é alcançada pela princesa boa.

Porém, há uma dicotomia nos contos de fadas, pois a beleza física está atrelada ao bem. Nos contos originais, o belo pode ser lido como beleza estética, mas também como O Bem.

Se pensarmos nos filmes, desenhos e revistas que trazem esses contos, as princesas sempre são belas fisicamente. E numa sociedade cuja imagem é um modelo forte, a beleza física das princesas se sobressai à beleza moral.

Perda da juventude

A beleza é um conceito estético e, por si só, não está atrelada ao envelhecimento. Um quadro não deixa de ser belo por ter sido pintado há 60 anos.

Porém, em relação ao homem, a beleza está ligada à juventude. Uma mulher de 60 anos, embora possa ser muito bonita, não é considerada como tal por ter perdido os predicados da juventude. E o apego à juventude é um modo de negar o envelhecimento, e por sua vez, a morte. Na realidade, é a morte que o homem moderno não suporta.

É o desconhecido que apavora o ser humano, pois não há registro da própria morte no inconsciente do sujeito. E numa tentativa de lidar com o pavor da morte, o homem busca negar a própria morte através da tentativa de manutenção da juventude que se perde ao longo do tempo.

Ideal de beleza

Existe um ideal de beleza em nossa sociedade que é inalcançável, o que provoca a busca incessante pelos mais diversos métodos estéticos.

A busca por esse ideal de beleza não permite a existência das diferenças. Se essa busca é exacerbada, é importante que a pessoa busque um tratamento analítico, pois esse exagero de vaidade é um sintoma de um sofrimento psíquico que precisa de cuidados.

sábado, 17 de abril de 2010

Filhos e suas amizades

Entrevista de Claudia Finamore (http://www.apoiopsi.com.br) para a jornalista Priscilla Nery (http://vilamulher.terra.com.br/filhos-e-suas-amizades-8-1-55-403.html).


Filhos e suas amizades

Num mundo cada vez mais violento, pais e mães precisam se desdobrar para criar os filhos da melhor maneira, muitas vezes deixando-os bem perto da família. Mas chega uma hora que os pequenos acabam escolhendo outras pessoas que também serão fundamentais em suas vidas: os amigos.

Não se pode negar que os amigos são necessários para qualquer ser humano e têm um papel essencial na vida dos filhos. "As amizades são importantes para o desenvolvimento psicossocial dos filhos, possibilitando a aquisição de habilidades no convívio grupal. Esse contato social oferece a oportunidade da criança ou adolescente conhecer mais sobre si mesmo e o mundo. É um aprendizado construído na medida em que a criança amadurece, onde noções de limites, respeito, semelhanças, diferenças, competição e solidariedade são apreendidas", afirma a psicóloga e psicanalista Claudia Finamore.

A especialista explica que os amigos interferem na personalidade e na formação do indivíduo. "A criança nasce com parte de sua personalidade formada por meio dos traços genéticos parentais. Porém ocorrem mudanças de acordo com o que a criança vive e as relações que estabelece com o mundo. Tudo o que a criança observa, percebe ou interage irá, em maior ou menor grau, influenciar na formação da sua personalidade. Mas não se pode deixar de lado como a criança interpreta o que vê e ouve. É a sua interpretação da realidade que irá participar da formação da sua personalidade", diz.

Porém é preciso que os pais tenham cuidado. Afinal, não é sempre que uma criança ou adolescente estão preparados para fazer as melhores escolhas. Marcelo Bergamasco conta que teve que interferir numa das companhias de seu filho mais novo. "Meu filho disse que estava conversando com um jovem que é traficante. Não era amigo dele, mas estavam juntos com outros jovens. Expliquei o que as drogas poderiam acarretar para ele e no futuro dele, e que seria melhor que se afastasse do jovem. E ele se afastou", declara.

Marcelo acredita que os pais são o exemplo para que os filhos não se envolvam em situações de risco por causa de amizades: "Se a criança encontrar dentro de casa pais que sejam bons referenciais, creio que as amizades podem até tentar, mas não vão conseguir mudar o que está sendo formado e alicerçado dentro de casa".

A psicóloga ensina que os pais servem mesmo como base para os pequenos. "A educação dos valores escolhidos pelos pais deve iniciar desde o início, e não quando os filhos já cresceram e farão uso desses valores. Desse mesmo modo deve ocorrer a escolha de boas amizades: primeiro, pelo exemplo dos próprios pais. Na época em que os filhos começarem seus laços de amizades, lá pelos 3 ou 4 anos, os pais participam com proximidade desse processo, intermediando as relações dos filhos com seus amigos nos momentos de discórdias. Com o tempo, os pais podem se afastar um pouco, de acordo com a possibilidade dos filhos resolverem suas diferenças com os amigos"

Até que a adolescência chegue, a participação dos pais implica num maior limite. Porém isso não quer dizer que deve distanciar-se. "Nesses casos, o diálogo franco e aberto é o melhor caminho para lidarem com as escolhas de amizades dos filhos", diz.

Esse é o caso da assistente administrativa Joana Vallim, que relata a influência de um amigo na vida de seu filho de 19 anos: "Um dia, um amigo colocou um piercing no nariz e meu filho cismou de pôr também. Eu falei que detestava piercing, mas não podia interferir, porque ele é maior de idade. Então ele colocou, mas teve que tirar depois de um mês, porque infeccionou".

Embora os pais não devam agir de maneira repressora, é fundamental que acompanhem a vida dos pequenos, e isso inclui sim as amizades. "Os pais devem estar atentos às amizades dos filhos seja na infância ou adolescência. Conhecer os amigos, torná-los próximos da família, e manter os limites de respeito não invasivo colaboram nessas relações. Os pais podem interferir nas amizades escolhidas caso sejam gravemente prejudiciais aos filhos. De qualquer modo, isso deve ocorrer através de um diálogo honesto entre pais e filhos, incluindo aí o modo de se relacionar com os amigos", finaliza a especialista.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Livre para voar

Saiu na Revista Kalunga de outubro de 2009.



Livre para voar

Compete aos pais oferecer aos filhos os ensinamentos e orientações capazes de fazer com que eles cheguem sãos e salvos à vida adulta.

Não é fácil ser criança nos dias de hoje. Se antigamente, antes da regulamentação trabalhista, ela chegava muito cedo ao mercado de trabalho, agora tem tantas atividades que acaba cumprindo uma agenda de “gente grande”. Como se não bastassem os desafios inerentes ao próprio crescimento, foram acrescidos vários outros à sua rotina. Consequentemente, a ansiedade e a angústia em apresentar resultados também passaram a fazer parte do dia a dia dos pequenos.

O crescimento da criança e do adolescente provoca diversas mudanças, que implicam em perdas do que foi alcançado e angústia perante o que ainda deve ser conquistado. Segundo Cláudia Finamore, psicóloga e psicanalista, especialista em psicogeriatria, essas transformações são físicas, biológicas e psicossociais. “A criança pequena que está deixando de usar a mamadeira e iniciando a utilização do copo precisa lidar com a perda do vínculo com a mamadeira e com a angústia da dificuldade perante o novo. Como lidar com um copo, segurá-lo, virá-lo, equilibrá-lo, conter o líquido dentro do recipiente.”

A forma como a criança vai enfrentar essas dificuldades depende, segundo a psicóloga, da postura dos pais. Entretanto, às vezes, eles – devido a suas próprias limitações – aceleram o crescimento do filho, fazendo com que ele lide com aquisições antecipadas para a sua idade. O fato é que, independentemente da idade, as pessoas sentem-se angustiadas ou ansiosas perante a perspectiva de mudanças. No caso dos adultos, a maior parte deles dispõe de recursos para lidar com o desconhecido.

Mas isso não ocorre com os pequenos, que estão ainda em fase de aquisição de recursos de enfrentamento. A presença dos pais é imprescindível para sustentar esses momentos e ensinar a superá-los. “A educação de um filho perpassa, em muito, pelo que é inconsciente. A possibilidade e o modo dos pais enfrentarem riscos na vida ensinam aos filhos como eles veem a vida; a dificuldade, o enfrentamento do perigo”, afirma Cláudia.

E para aqueles que acreditam ter a meninada evoluído o suficiente para lidar com os problemas sociais, a psicóloga faz uma analogia. “Para afirmarmos que crianças e adolescentes evoluíram, precisamos datar essa questão. Se estivermos falando do século 20 e 21, pode-se dizer que elas possuem um contato maior com as informações disponíveis nas diversas mídias, o que permite serem mais bem informadas. Porém, isso não reflete um amadurecimento emocional para lidarem com a vida. Se voltarmos à Idade Média, a criança com 7 anos já participava da vida social como qualquer outro adulto. E como tal era considerada.”

Superproteção

A psicopedagoga Raquel Caruso, coordenadora da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (EDAC), ressalta que a concorrência e o estresse a que muitos pais estão submetidos fazem com que eles projetem essa realidade para os filhos. Dentro de uma sociedade competitiva, os adultos querem que o filho seja o melhor em tudo. Em outras palavras, isso pode gerar uma ansiedade tão grande na criança que ela pode deixar de produzir, travar. Em decorrência disso, muitos pais investem pesado no desenvolvimento dos filhos. Diante do receio com a performance, e tendo que cumprir tantas exigências, eles procuram inflar nas crianças o máximo de conhecimentos, buscando uma resposta rápida e eficaz.

“Os pais procuram se assegurar de que os filhos conseguirão enfrentar e alcançar as expectativas sociais. Como é de se imaginar, esse comportamento os leva a serem superprotetores. A própria palavra superproteger já indica um excesso. Os extremos, seja pela falta ou pelo exagero, prejudicam o desenvolvimento da criança, gerando excesso de angústia e ansiedade, pois ela enfrenta dificuldades em criar recursos para lidar com as novidades”, argumenta a psicóloga. Ela acrescenta que o ideal é proteger, orientar, acompanhar nas situações em que a criança ainda não tem condições físicas e emocionais para enfrentar. “Quando ela já possui recursos de enfrentamento, é importante o apoio dos pais, garantindo-lhes autoconfiança.”

O acesso irrestrito dos pais aos filhos pode ou não infantilizá-los. Muitas vezes, a infantilização decorre da impossibilidade dos pais em lidar com o crescimento dos filhos. Mas pode ocorrer também um desejo da criança não crescer, por nutrir ideias de que a vida adulta é muito difícil e que não conseguirá enfrentá-la. No caso dos pais que tentam atrasar a entrada do filho na puberdade, a psicóloga Cláudia diz que isso se deve à impossibilidade deles se relacionarem com os filhos adolescentes e adultos. Em contrapartida, há aqueles que estimulam o amadurecimento dos filhos e não respeitam todas as fases de sua vida.

De acordo com Raquel, como não existe hoje a pré-adolescência, a criança vai direto da infância para adolescência. Isso faz parte do contexto social a que todos estão expostos, e que não possibilita a assimilação de muitas informações. “Os pais precisam dispor de tempo para os filhos. Por exemplo, reservar um dia para jantar ou fazer uma atividade diferente, para que as crianças possam compartilhar suas experiências.” Em geral, os pais acreditam que tudo está bem na vida do filho. Ela comenta que, às vezes, a criança chora e se recusa a ir à escola. Isso pode ser visto como manha, mas de repente ela está sendo vítima de bullying e não fala porque tem medo de mais ataques e represálias.

Identidade

Segundo Cláudia, o jovem adulto dependente dos pais, de modo geral, tem dificuldades para tratar as incertezas e inseguranças da vida. Assim, optam em ficar mais tempo sob a guarda dos mesmos. Outro fator que pesa na dependência é a mudança dos valores sociais. Há algumas décadas, para que os jovens pudessem ter relações sexuais ou utilizar o dinheiro do modo que escolhessem precisavam da sua independência através do trabalho e do casamento. Atualmente, ele não precisa sair para viver plenamente seus desejos adultos, o que propicia ficar mais o tempo na casa paterna.

Dar um norte para a vida dos filhos é uma das atribuições que os pais têm; faz parte do processo de educar. É comum o jovem romper essa barreira na adolescência para construir a sua identidade. Isso ocorre independentemente dos pais serem ou não superprotetores. Há adultos com 40 e poucos anos que são adolescentes. Isso ocorre porque eles não conseguiram romper o vínculo com a família. Mas são casos esporádicos, conforme Raquel.

“Vários fatores influenciam o amadurecimento de uma pessoa. Sua história de vida, sua relação com os pais, seu desenvolvimento psíquico. Na sociedade atual, vemos que o jovem se relaciona com pouco compromisso aos estudos, ao projeto de vida, à carreira e às relações amorosas. Em parte, isso ocorre devido à dificuldade dos pais em impor limites na educação de seus filhos e assim colaborar no amadurecimento deles”, finaliza Cláudia. (M.A.)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Divisão das despesas e casamento

O casamento e a difícil divisão de despesas

O individualismo e velhos valores podem atrapalhar o casal na hora de administrar o dinheiro


Lufe Steffen, especial para o iG São Paulo - 30/12/2009 11:22


O casamento traz muitas alegrias, mas também exige mudanças complexas em vários aspectos da vida. A administração do dinheiro parece ser um dos maiores desafios dos casais modernos, que ainda insistem em atitudes individualistas.

“O casal deve pensar como uma dupla. Tudo bem que tenham contas bancárias separadas, mas um deve poder contar com o outro. E quem ganha mais, naturalmente, deve contribuir mais, independente de ser o homem ou a mulher”, afirma a psicóloga Marina Vasconcelos, que trata o assunto destacado de antigos valores sociais e culturais.

“Isso é uma questão matemática e de maturidade do casal. Se o homem puder dar maior segurança financeira para que a mulher, por exemplo, possa se dedicar mais aos filhos, ótimo! Mas se a situação for inversa... qual o problema?”, questiona.

A necessidade de buscar o equilíbrio é vital, já que problemas financeiros podem até interferir na vida sexual dos parceiros, como alerta a psicóloga: “Pode afetar desde que um deles sinta-se inferior ao outro pela questão financeira. O casal precisa sentir-se parceiro, num mesmo nível, para que o relacionamento sexual também se dê de uma maneira gostosa”.

E para alcançar o mesmo nível, surge a quase obrigação de se fazer concessões, sem as quais o casamento pode desmoronar. “Alguém tem que ceder. Tem de se levar em conta o mais importante e saber quando adiar algo em prol do que o outro precisa. Afinal, a partir do momento que casamos passamos a pensar em ‘nós’, e não apenas no ‘eu’”, reforça Marina.

Comunicação é o caminho

Muitas dificuldades nos casamentos se originam na criação de cada um como indivíduo. “A sociedade moderna tende mais para a individualidade, e a tendência dos casais é cada qual cuidar das finanças do seu próprio jeito. Porém, com histórias e valores diferenciados em relação ao dinheiro, poderão haver discordâncias na relação. A comunicação franca do casal é o melhor caminho para compreender como cada um lida com dinheiro”, afirma a psicóloga Claudia Finamore.

Um assunto que interessa a ambos, certamente, é o cuidado com a casa. O consenso geral é de que é preciso contar com uma profissional para fazer a limpeza, cozinhar, enfim, cuidar da manutenção do lar. “Agora, se a falta de dinheiro não permitir esse cuidado, é importante conversarem muito bem sobre a divisão das tarefas para se evitar brigas desnecessárias”, diz Marina, sublinhando a necessidade de se evitar a disputa dos sexos.

Um oferecer ao outro ajuda, mesmo sem ser solicitado; dividir as tarefas da casa e responsabilidades com os filhos; sair para comerem fora ou prepararem jantares diferentes e românticos para fugir da rotina; darem-se flores sem ser uma data especial; serem companheiros e cúmplices verdadeiros nos bons e maus momentos financeiros. Estas e outras atitudes ajudam a manter um casamento saudável por muito mais tempo. “Uma gentileza não precisa custar algo em dinheiro. Muitas vezes, um sorriso oferecido numa situação e num modo específicos pode ser uma gentileza”, finaliza a Dra. Claudia.


http://delas.ig.com.br/amoresexo/o+casamento+e+a+dificil+divisao+de+despesas/n1237532966399.html

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Feliz Natal e Próspero Ano Novo

Canção Mínima
Cecília Meireles

No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Reconheça os sinais de que ela perdeu o interesse

Minha amiga e psicóloga Cora Ferreira (cora.ferreira@branfer.com) participou de uma entrevista realizada pelo jornalista Vladimir Maluf, para o Portal Ig. Confira a matéria, abaixo.

Reconheça os sinais de que ela perdeu o interesse

Se elas têm dificuldade para terminar a relação, dão a entender que querem colocar um ponto final. Então saiba identificar esses sinais...

Vladimir Maluf

Talvez seja apenas insegurança sua ficar encanado pensando que ela perdeu o interesse por você. E isso é péssimo para ambos – aliás, tanta insegurança pode fazer mesmo com que ela se canse. Cora Ferreira, psicóloga com especialização em Psicoterapia Psicanalítica pela Unifesp, confirma que há pessoas que sentem mais dificuldade em conversar e se abrir para dizer que discordam, que não gostam ou que não amam mais.

Andréa*, 28 anos, está passando por isso com o namorado. “Não sei se quero terminar. Acho que eu gostaria que ele terminasse comigo”. E, pensando friamente, ela concorda que está sinalizando seu descontentamento. “Eu já não ligo com tanta frequência, perco a paciência com ele sempre, marco compromissos para ficar um pouco sozinha, longe dele, e tentar refletir sobre nosso namoro".

Quem já vivenciou os dois lados dessa situação foi Shirley Lima, de 28 anos. “Já tive o receio e a dúvida de falar que estava cansada e fui me afastando de um namorado: inventava programas que ele não participaria, não atendia as ligações e não conseguia mais dizer que o amava – como eu sempre fazia”, conta a analista de sistemas. Mas ela conta que já fizeram o mesmo com ela. “Acho que ser vítima da frieza me fez sofrer e, principalmente, aprender a encarar os problemas de frente e abrir o jogo logo”.

O empresário Rafael Menezes, de 30 anos, acredita ser mais comum esse tipo de comportamento vindo das mulheres. “Eu, pelo menos, não sou de ficar desviando dos problemas. Prefiro falar logo”, explica. Rafael já teve uma namorada que foi se afastando até o fim da relação se tornar inevitável. “Quem faz isso quer manter a outra pessoa disponível, como 'plano B', caso veja que não arruma nada melhor do que o que já tem".

Como lidar

A psicóloga Cora Ferreira diz que apesar de não ser regra, tanto o homem quanto a mulher podem dar alguns sinais de que perderam o interesse pelo outro, acreditando que sua intenção será compreendida e que não haverá responsabilidades com as consequências. Mas a pergunta que a especialista faz é: será que colocar a questão “debaixo do tapete” é a solução?

Se você nota que algo está diferente, avalie como a relação está se desenrolando: “Como estão sendo como parceiros? Como anda a atenção entre eles? Há cumplicidade, respeito, prazer na companhia um do outro? Que sentimentos estão envolvidos?”, sugere Cora. “O importante é se ater a isso em vez de procurar sinais que possam significar algo que nem se sabe que sentido tem”.

Cuidado com a imaginação!

Cora lembra que, muitas vezes, a mulher não atender o celular pode significar, simplesmente, uma impossibilidade concreta de atender a um chamado e nada mais. Não responder um e-mail pode ter relação com uma falha do provedor e por aí vai. “Não faz sentido ficar imaginando o que os sinais querem dizer”. Mas, se eles o incomodam, a saída é encarar o que parece tão difícil: propor uma conversa sincera.

A falta de contato mais profundo entre o casal pode levar ao desenvolvimento de fantasias, nem sempre positivas, que podem não significar nada na realidade. “Seria interessante e mais saudável que ambos pudessem conversar, procurando, honestamente, uma chance de entender o que está acontecendo. Talvez o mais importante seja aprender a escutar o que o outro tem a dizer".

http://estilo.ig.com.br/noticia/2009/10/10/reconheca+os+sinais+de+que+ela+perdeu+o+interesse+8710118.html

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Na hora de conhecer os pais dela

Minha amiga e psicanalista Cida Lessa (cida.lessa@ig.com.br) foi entrevistada pelo jornalista Vladimir Maluf, do Portal Ig. Confira a matéria.
(http://estilo.ig.com.br/noticia/2009/11/08/na+hora+de+conhecer+os+pais+dela+9019042.html)

Na hora de conhecer os pais dela...

Os sogros são (quase) sempre vistos como inimigos. Saiba lidar com isso!

Vladimir Maluf

Não é à toa que muitos homens adiam o momento de conhecer os pais da namorada. Os sogros nem sempre estão felizes em receber o namorado da filha; mas, é preciso, mesmo assim, tentar conquistar os dois. “É difícil tentar adivinhar ou manipular o que o outro vai pensar. Mas ter educação e demonstrar respeito, principalmente pela namorada, é o que mais causa boa impressão”, diz a psicanalista Elizandra Souza.

“Em geral, as sogras são mais ciumentas e mais desconfiadas. Os sogros querem o melhor para suas filhas, esperam que seus genros sejam amorosos, cuidadosos, protetores e responsáveis”, acredita. “Nenhum pai quer que sua filha saia de casa para sofrer com um homem qualquer. Ele espera que sua filha possa estar com alguém estruturado para poder construir algo com ela”.

As apresentações causam tensões em ambas as partes. Mas não é preciso encarar os pais dela como inimigos, de acordo com a psicóloga Cida Lessa. “Isso vem em função de uma expectativa, um nervosismo, mas não significa que os pais receberão o homem com hostilidade”. O importante, diz Cida, é encarar como um encontro social, mas sem a preocupação de impressionar.

“Seja natural, pois, se interpretar, os pais dela vão perceber e isso não será bom. Lembre-se de que você está em um ambiente familiar e é um invasor. Então, pense bem no que vai falar e evite intimidades com a namorada na frente deles”. E ainda dá para usar o encontro a seu favor. “Aproveite a visita para conhecer um pouco melhor a namorada: como ela foi educada e de onde vem".

Elizandra concorda que montar um perfil para impressionar não dá certo. “Causar boa impressão é ter atitudes respeitosas e não querer aparecer mais do que realmente é, não se supervalorizar ou mostrar o que não tem. Não ser arrogante, nem coitadinho. É preciso ter equilíbrio emocional e intelectual”, resume.

O sogro, a sogra

Elizandra diz que o homem, na posição de sogro, pode ser mais reservado, justamente para saber quem é este namorado. “Nesses momentos, talvez os homens (sogros) sejam mais observadores que as mulheres (sogras), que tendem logo a colocar suas opiniões sobre as possíveis qualidades e defeitos do genro”, afirma. “Eles preferem perceber com o tempo como o namorado da filha se mostra e se é realmente honesto, responsável e respeitoso".

Mas Cida lembra que o pai costuma ter ciúme da filha e, raramente, achará que sua menininha está preparada para um relacionamento, além de ficar preocupado com o risco de a filha sofrer. “O homem, inconscientemente, tem medo de deixar de ser amado e de ser esquecido. A partir do momento em que a mulher se interessa por outro homem, apesar de ser uma relação completamente diferente, ele sente esse receio".

Por outro lado, não quer um contato muito estreito com uma pessoa que ele não sabe se ficará muito tempo por perto. “O pai, muitas vezes, é mais agressivo porque quer evitar uma proximidade. Não quer se apegar, pois não há como prever quanto tempo vai durar o relacionamento da filha. É uma maneira de não criar expectativas sobre esse relacionamento”.

Nesse aspecto, na opinião de Cida, a mãe encara de uma forma melhor ao ver que a filha tem um namorado. “As filhas, normalmente, conversam com as mães sobre seus relacionamentos”. Por fim, ela reafirma que o importante é não tentar construir uma falsa imagem. “Quando tenta impressionar, o homem se perde. Deixe isso de lado".

sábado, 14 de novembro de 2009

A mãe e o filho

A psicóloga e psicanalista Claudia Finamore (claudia.finamore@uol.com.br) foi entrevistada pelo jornalista Vladimir Maluf, do Portal Ig. Leia a matéria:
(http://estilo.ig.com.br/noticia/2009/11/04/voce+e+um+filhinho+da+mamae+8923955.html)

Você é um "filhinho da mamãe"?
04/11 - 13:38hrs
Avalie se essas características combinam com sua personalidade
Vladimir Maluf

Você é um filhinho da mamãe? Cuidado, a maioria das mulheres foge desse tipo de homem. “Tem mulher que gosta de ter mais um filho em vez de um marido. Mas, digamos que não está na moda”, brinca a psicóloga Claudia Finamore. “De um modo geral, está no imaginário da mulher um homem másculo, protetor, que consiga ocupar a posição de sustento emocional, não só financeiro; uma postura forte, que saiba controlar situações, saiba decidir e gerenciar conflitos”.

O marido que é filho

Claudia explica que esse tipo de homem se coloca na posição de filho, mesmo com a mulher que ele ama, que mantém relações sexuais. “A mulher é quem domina a cena familiar, toma a frente de tudo e o marido acompanha”. E, por mais que não esteja explícito, existem muitos casais assim. “Pode até ser que no campo profissional e das relações sociais ele seja um homem completamente diferente disso; mas, com a parceira, ele é outra pessoa".

Ele quer uma sucessora

Também não é incomum o homem que busca uma sucessora para a mãe. Porém, a maior parcela delas, além de não querer isso, se ofende com comparações. “É uma comparação sem nexo, mas os homens fazem. As atividades até se parecem, mas o papel de mãe e de companheira são completamente diferentes”. Claudia diz que isso cria um conflito familiar. “O que acontece muito é gerar uma rixa entre sogra e nora. Começa uma disputa para ver quem é capaz de fazer aquele homem mais feliz".

Pode dar certo...

Apesar disso tudo, Claudia afirma que não é errado ser assim, desde que se relacione com uma mulher que procure esse tipo de parceiro. “O importante é que os dois combinem. Se essa dinâmica é adequada ao casal, ótimo". Contudo, voltamos à questão: elas gostam disso? As mulheres com quem o iG conversou não são favoráveis a esse comportamento. Exceto uma, que prefere ocultar o nome para preservar o marido.

“Não gosto desse termo ‘filhinho da mamãe’, mas aceito que acabo sendo um pouco mãe do meu marido”, conta a mulher de 45 anos, que é casada e sem filhos e, além de conduzir a casa, a sustenta. “Ele é um homem sensível, tem alma de artista. Eu sempre fui dominadora e independente – até pensei que fosse morrer solteira”, brinca. Por isso, diz ela, o casamento dá certo. “Minha família critica demais nossa relação, mas eu o amo e nos damos bem assim".

Com a palavra, as que odeiam

“Um ‘filhinho de mamãe’ não sabe se virar e tem que recorrer a alguém para tudo”, diz a publicitária Graziele Reis. “É o tipo de cara que não consegue resolver problemas práticos da vida, como trocar um chuveiro, por exemplo”. E, revoltada, ela diz mais. “Não tem espírito de cooperação, fica esperando as coisas prontas. É mimado e infantil”, descreve a jovem de 27 anos. “Odeio homens que não se despregam da barra da saia da mãe. Odeio, odeio, odeio”.

Luciana Ramos, designer de 39 anos, teve um namoro com um homem desse tipo, mas que cortou logo. “A mãe dele fazia drama e ele, claro, caía. Ela era viúva e vivia se fazendo de doente”. Segundo ela, era impossível manter um relacionamento com um homem grudado na mãe desse jeito. “Era uma mãe controladora. Tinha ciúme dele e, por sua vez, ele corria atrás dela a qualquer chamado".

O pior de ser um “filhinho da mamãe”, para a relações públicas Cristiane Anselmo, de 30 anos, é a dificuldade que esse perfil de homem tem de se desenvolver. “Esse tipo de cara é tão mimado que é incapaz de administrar a própria vida, de correr atrás de algum objetivo – se é que consegue ter um”, reclama. “Eu não quero um homem que não deseja crescer, evoluir na profissão e não tem ambições”.

Namorar um mimado está fora de cogitação, diz Helen Soares, 28 anos. A profissional liberal explica que já cometeu esse erro uma vez, mas nunca mais. “Um ‘filhinho da mamãe’ não quer uma mulher, quer uma mãe que substitua a dele quando ela morrer”, avalia. “Tive um namorado que não pegava nem água na cozinha. Queria deitar no sofá e ter tudo na mão. Dizia que era carente, que queria ser cuidado. Comigo, não!”

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Os outros morrem, eu não

Minha amiga, sociologa e psicanalista Nilda Jock (niljock@hotmail.com) escreveu um texto para o site Minha Vida (http://www.minhavida.com.br/conteudo/10174-Os-outros-morrem-eu-nao.htm).


Os outros morrem, eu não
Saber lidar com a existência da morte é necessário

Por Minha Vida Publicado em 21/9/2009

Pensando bem, não é a morte que incomoda os seres humanos, mas o conhecimento de que ela existe. O moribundo nos desestrutura, fragiliza nossas defesas tão bem construídas contra a idéia de que nós também vamos morrer. Por isso temos nos tornado cada vez mais incapazes de dar aos que estão morrendo ou aos que sofreram uma perda muito significativa a ajuda, a atenção devida num dos momentos mais difíceis da vida, seja daqueles que estão partindo e muitas vezes precisam de consolo, de companhia, ou aqueles que estão banhados por um luto dolorido. Ficamos pasmos, constrangidos, embotados.

A civilização tem feito isso, isolando aquele que está agonizante. A morte é tirada de cena, passa por uma dissipação, é interceptada como um estorvo. Claro que tudo com muito cuidado e delicadeza sem deixar, contudo, de ser transformada numa fragmentação. A morte e tudo que lhe diz respeito é apartado, porque ela é a expressão mais desavergonhada da nossa decadência.

Lembro-me quando meu pai morreu. A relutância do meu marido em permitir que os nossos filhos, ainda crianças, fossem ao enterro do avô surgiu. O dilema que fiquei entre expor os despojos de uma vida que para eles foi tão importante e a idéia de que talvez fosse melhor que eles guardassem em suas memórias os olhos azuis vivos e a imagem dele brincando com os netos. Esse argumento venceu o gesto e esquivá-los do confronto com o cadáver do avô, com a morte, sua cor e impassividade própria foi o melhor caminho.

Pois é, isso já faz algum tempo, mas hoje pensando no curso que temos seguido no "processo civilizatório" e no incômodo diante da idéia de morte, me dei conta de que sou uma autêntica representante dos dias de hoje.

A morte é para todos uma situação de angústia primitiva, é o medo irrefreável de dissolução do ego. Um medo com o qual não lidamos, pelo contrário, estamos nos aprimorando em disfarçar esse desconforto peculiar dos vivos perante a agonia de uma vida em consumação. Será que um dia acharemos isso um horror e nos envergonharemos?