sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Livre para voar

Saiu na Revista Kalunga de outubro de 2009.



Livre para voar

Compete aos pais oferecer aos filhos os ensinamentos e orientações capazes de fazer com que eles cheguem sãos e salvos à vida adulta.

Não é fácil ser criança nos dias de hoje. Se antigamente, antes da regulamentação trabalhista, ela chegava muito cedo ao mercado de trabalho, agora tem tantas atividades que acaba cumprindo uma agenda de “gente grande”. Como se não bastassem os desafios inerentes ao próprio crescimento, foram acrescidos vários outros à sua rotina. Consequentemente, a ansiedade e a angústia em apresentar resultados também passaram a fazer parte do dia a dia dos pequenos.

O crescimento da criança e do adolescente provoca diversas mudanças, que implicam em perdas do que foi alcançado e angústia perante o que ainda deve ser conquistado. Segundo Cláudia Finamore, psicóloga e psicanalista, especialista em psicogeriatria, essas transformações são físicas, biológicas e psicossociais. “A criança pequena que está deixando de usar a mamadeira e iniciando a utilização do copo precisa lidar com a perda do vínculo com a mamadeira e com a angústia da dificuldade perante o novo. Como lidar com um copo, segurá-lo, virá-lo, equilibrá-lo, conter o líquido dentro do recipiente.”

A forma como a criança vai enfrentar essas dificuldades depende, segundo a psicóloga, da postura dos pais. Entretanto, às vezes, eles – devido a suas próprias limitações – aceleram o crescimento do filho, fazendo com que ele lide com aquisições antecipadas para a sua idade. O fato é que, independentemente da idade, as pessoas sentem-se angustiadas ou ansiosas perante a perspectiva de mudanças. No caso dos adultos, a maior parte deles dispõe de recursos para lidar com o desconhecido.

Mas isso não ocorre com os pequenos, que estão ainda em fase de aquisição de recursos de enfrentamento. A presença dos pais é imprescindível para sustentar esses momentos e ensinar a superá-los. “A educação de um filho perpassa, em muito, pelo que é inconsciente. A possibilidade e o modo dos pais enfrentarem riscos na vida ensinam aos filhos como eles veem a vida; a dificuldade, o enfrentamento do perigo”, afirma Cláudia.

E para aqueles que acreditam ter a meninada evoluído o suficiente para lidar com os problemas sociais, a psicóloga faz uma analogia. “Para afirmarmos que crianças e adolescentes evoluíram, precisamos datar essa questão. Se estivermos falando do século 20 e 21, pode-se dizer que elas possuem um contato maior com as informações disponíveis nas diversas mídias, o que permite serem mais bem informadas. Porém, isso não reflete um amadurecimento emocional para lidarem com a vida. Se voltarmos à Idade Média, a criança com 7 anos já participava da vida social como qualquer outro adulto. E como tal era considerada.”

Superproteção

A psicopedagoga Raquel Caruso, coordenadora da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (EDAC), ressalta que a concorrência e o estresse a que muitos pais estão submetidos fazem com que eles projetem essa realidade para os filhos. Dentro de uma sociedade competitiva, os adultos querem que o filho seja o melhor em tudo. Em outras palavras, isso pode gerar uma ansiedade tão grande na criança que ela pode deixar de produzir, travar. Em decorrência disso, muitos pais investem pesado no desenvolvimento dos filhos. Diante do receio com a performance, e tendo que cumprir tantas exigências, eles procuram inflar nas crianças o máximo de conhecimentos, buscando uma resposta rápida e eficaz.

“Os pais procuram se assegurar de que os filhos conseguirão enfrentar e alcançar as expectativas sociais. Como é de se imaginar, esse comportamento os leva a serem superprotetores. A própria palavra superproteger já indica um excesso. Os extremos, seja pela falta ou pelo exagero, prejudicam o desenvolvimento da criança, gerando excesso de angústia e ansiedade, pois ela enfrenta dificuldades em criar recursos para lidar com as novidades”, argumenta a psicóloga. Ela acrescenta que o ideal é proteger, orientar, acompanhar nas situações em que a criança ainda não tem condições físicas e emocionais para enfrentar. “Quando ela já possui recursos de enfrentamento, é importante o apoio dos pais, garantindo-lhes autoconfiança.”

O acesso irrestrito dos pais aos filhos pode ou não infantilizá-los. Muitas vezes, a infantilização decorre da impossibilidade dos pais em lidar com o crescimento dos filhos. Mas pode ocorrer também um desejo da criança não crescer, por nutrir ideias de que a vida adulta é muito difícil e que não conseguirá enfrentá-la. No caso dos pais que tentam atrasar a entrada do filho na puberdade, a psicóloga Cláudia diz que isso se deve à impossibilidade deles se relacionarem com os filhos adolescentes e adultos. Em contrapartida, há aqueles que estimulam o amadurecimento dos filhos e não respeitam todas as fases de sua vida.

De acordo com Raquel, como não existe hoje a pré-adolescência, a criança vai direto da infância para adolescência. Isso faz parte do contexto social a que todos estão expostos, e que não possibilita a assimilação de muitas informações. “Os pais precisam dispor de tempo para os filhos. Por exemplo, reservar um dia para jantar ou fazer uma atividade diferente, para que as crianças possam compartilhar suas experiências.” Em geral, os pais acreditam que tudo está bem na vida do filho. Ela comenta que, às vezes, a criança chora e se recusa a ir à escola. Isso pode ser visto como manha, mas de repente ela está sendo vítima de bullying e não fala porque tem medo de mais ataques e represálias.

Identidade

Segundo Cláudia, o jovem adulto dependente dos pais, de modo geral, tem dificuldades para tratar as incertezas e inseguranças da vida. Assim, optam em ficar mais tempo sob a guarda dos mesmos. Outro fator que pesa na dependência é a mudança dos valores sociais. Há algumas décadas, para que os jovens pudessem ter relações sexuais ou utilizar o dinheiro do modo que escolhessem precisavam da sua independência através do trabalho e do casamento. Atualmente, ele não precisa sair para viver plenamente seus desejos adultos, o que propicia ficar mais o tempo na casa paterna.

Dar um norte para a vida dos filhos é uma das atribuições que os pais têm; faz parte do processo de educar. É comum o jovem romper essa barreira na adolescência para construir a sua identidade. Isso ocorre independentemente dos pais serem ou não superprotetores. Há adultos com 40 e poucos anos que são adolescentes. Isso ocorre porque eles não conseguiram romper o vínculo com a família. Mas são casos esporádicos, conforme Raquel.

“Vários fatores influenciam o amadurecimento de uma pessoa. Sua história de vida, sua relação com os pais, seu desenvolvimento psíquico. Na sociedade atual, vemos que o jovem se relaciona com pouco compromisso aos estudos, ao projeto de vida, à carreira e às relações amorosas. Em parte, isso ocorre devido à dificuldade dos pais em impor limites na educação de seus filhos e assim colaborar no amadurecimento deles”, finaliza Cláudia. (M.A.)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Divisão das despesas e casamento

O casamento e a difícil divisão de despesas

O individualismo e velhos valores podem atrapalhar o casal na hora de administrar o dinheiro


Lufe Steffen, especial para o iG São Paulo - 30/12/2009 11:22


O casamento traz muitas alegrias, mas também exige mudanças complexas em vários aspectos da vida. A administração do dinheiro parece ser um dos maiores desafios dos casais modernos, que ainda insistem em atitudes individualistas.

“O casal deve pensar como uma dupla. Tudo bem que tenham contas bancárias separadas, mas um deve poder contar com o outro. E quem ganha mais, naturalmente, deve contribuir mais, independente de ser o homem ou a mulher”, afirma a psicóloga Marina Vasconcelos, que trata o assunto destacado de antigos valores sociais e culturais.

“Isso é uma questão matemática e de maturidade do casal. Se o homem puder dar maior segurança financeira para que a mulher, por exemplo, possa se dedicar mais aos filhos, ótimo! Mas se a situação for inversa... qual o problema?”, questiona.

A necessidade de buscar o equilíbrio é vital, já que problemas financeiros podem até interferir na vida sexual dos parceiros, como alerta a psicóloga: “Pode afetar desde que um deles sinta-se inferior ao outro pela questão financeira. O casal precisa sentir-se parceiro, num mesmo nível, para que o relacionamento sexual também se dê de uma maneira gostosa”.

E para alcançar o mesmo nível, surge a quase obrigação de se fazer concessões, sem as quais o casamento pode desmoronar. “Alguém tem que ceder. Tem de se levar em conta o mais importante e saber quando adiar algo em prol do que o outro precisa. Afinal, a partir do momento que casamos passamos a pensar em ‘nós’, e não apenas no ‘eu’”, reforça Marina.

Comunicação é o caminho

Muitas dificuldades nos casamentos se originam na criação de cada um como indivíduo. “A sociedade moderna tende mais para a individualidade, e a tendência dos casais é cada qual cuidar das finanças do seu próprio jeito. Porém, com histórias e valores diferenciados em relação ao dinheiro, poderão haver discordâncias na relação. A comunicação franca do casal é o melhor caminho para compreender como cada um lida com dinheiro”, afirma a psicóloga Claudia Finamore.

Um assunto que interessa a ambos, certamente, é o cuidado com a casa. O consenso geral é de que é preciso contar com uma profissional para fazer a limpeza, cozinhar, enfim, cuidar da manutenção do lar. “Agora, se a falta de dinheiro não permitir esse cuidado, é importante conversarem muito bem sobre a divisão das tarefas para se evitar brigas desnecessárias”, diz Marina, sublinhando a necessidade de se evitar a disputa dos sexos.

Um oferecer ao outro ajuda, mesmo sem ser solicitado; dividir as tarefas da casa e responsabilidades com os filhos; sair para comerem fora ou prepararem jantares diferentes e românticos para fugir da rotina; darem-se flores sem ser uma data especial; serem companheiros e cúmplices verdadeiros nos bons e maus momentos financeiros. Estas e outras atitudes ajudam a manter um casamento saudável por muito mais tempo. “Uma gentileza não precisa custar algo em dinheiro. Muitas vezes, um sorriso oferecido numa situação e num modo específicos pode ser uma gentileza”, finaliza a Dra. Claudia.


http://delas.ig.com.br/amoresexo/o+casamento+e+a+dificil+divisao+de+despesas/n1237532966399.html

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Feliz Natal e Próspero Ano Novo

Canção Mínima
Cecília Meireles

No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Reconheça os sinais de que ela perdeu o interesse

Minha amiga e psicóloga Cora Ferreira (cora.ferreira@branfer.com) participou de uma entrevista realizada pelo jornalista Vladimir Maluf, para o Portal Ig. Confira a matéria, abaixo.

Reconheça os sinais de que ela perdeu o interesse

Se elas têm dificuldade para terminar a relação, dão a entender que querem colocar um ponto final. Então saiba identificar esses sinais...

Vladimir Maluf

Talvez seja apenas insegurança sua ficar encanado pensando que ela perdeu o interesse por você. E isso é péssimo para ambos – aliás, tanta insegurança pode fazer mesmo com que ela se canse. Cora Ferreira, psicóloga com especialização em Psicoterapia Psicanalítica pela Unifesp, confirma que há pessoas que sentem mais dificuldade em conversar e se abrir para dizer que discordam, que não gostam ou que não amam mais.

Andréa*, 28 anos, está passando por isso com o namorado. “Não sei se quero terminar. Acho que eu gostaria que ele terminasse comigo”. E, pensando friamente, ela concorda que está sinalizando seu descontentamento. “Eu já não ligo com tanta frequência, perco a paciência com ele sempre, marco compromissos para ficar um pouco sozinha, longe dele, e tentar refletir sobre nosso namoro".

Quem já vivenciou os dois lados dessa situação foi Shirley Lima, de 28 anos. “Já tive o receio e a dúvida de falar que estava cansada e fui me afastando de um namorado: inventava programas que ele não participaria, não atendia as ligações e não conseguia mais dizer que o amava – como eu sempre fazia”, conta a analista de sistemas. Mas ela conta que já fizeram o mesmo com ela. “Acho que ser vítima da frieza me fez sofrer e, principalmente, aprender a encarar os problemas de frente e abrir o jogo logo”.

O empresário Rafael Menezes, de 30 anos, acredita ser mais comum esse tipo de comportamento vindo das mulheres. “Eu, pelo menos, não sou de ficar desviando dos problemas. Prefiro falar logo”, explica. Rafael já teve uma namorada que foi se afastando até o fim da relação se tornar inevitável. “Quem faz isso quer manter a outra pessoa disponível, como 'plano B', caso veja que não arruma nada melhor do que o que já tem".

Como lidar

A psicóloga Cora Ferreira diz que apesar de não ser regra, tanto o homem quanto a mulher podem dar alguns sinais de que perderam o interesse pelo outro, acreditando que sua intenção será compreendida e que não haverá responsabilidades com as consequências. Mas a pergunta que a especialista faz é: será que colocar a questão “debaixo do tapete” é a solução?

Se você nota que algo está diferente, avalie como a relação está se desenrolando: “Como estão sendo como parceiros? Como anda a atenção entre eles? Há cumplicidade, respeito, prazer na companhia um do outro? Que sentimentos estão envolvidos?”, sugere Cora. “O importante é se ater a isso em vez de procurar sinais que possam significar algo que nem se sabe que sentido tem”.

Cuidado com a imaginação!

Cora lembra que, muitas vezes, a mulher não atender o celular pode significar, simplesmente, uma impossibilidade concreta de atender a um chamado e nada mais. Não responder um e-mail pode ter relação com uma falha do provedor e por aí vai. “Não faz sentido ficar imaginando o que os sinais querem dizer”. Mas, se eles o incomodam, a saída é encarar o que parece tão difícil: propor uma conversa sincera.

A falta de contato mais profundo entre o casal pode levar ao desenvolvimento de fantasias, nem sempre positivas, que podem não significar nada na realidade. “Seria interessante e mais saudável que ambos pudessem conversar, procurando, honestamente, uma chance de entender o que está acontecendo. Talvez o mais importante seja aprender a escutar o que o outro tem a dizer".

http://estilo.ig.com.br/noticia/2009/10/10/reconheca+os+sinais+de+que+ela+perdeu+o+interesse+8710118.html

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Na hora de conhecer os pais dela

Minha amiga e psicanalista Cida Lessa (cida.lessa@ig.com.br) foi entrevistada pelo jornalista Vladimir Maluf, do Portal Ig. Confira a matéria.
(http://estilo.ig.com.br/noticia/2009/11/08/na+hora+de+conhecer+os+pais+dela+9019042.html)

Na hora de conhecer os pais dela...

Os sogros são (quase) sempre vistos como inimigos. Saiba lidar com isso!

Vladimir Maluf

Não é à toa que muitos homens adiam o momento de conhecer os pais da namorada. Os sogros nem sempre estão felizes em receber o namorado da filha; mas, é preciso, mesmo assim, tentar conquistar os dois. “É difícil tentar adivinhar ou manipular o que o outro vai pensar. Mas ter educação e demonstrar respeito, principalmente pela namorada, é o que mais causa boa impressão”, diz a psicanalista Elizandra Souza.

“Em geral, as sogras são mais ciumentas e mais desconfiadas. Os sogros querem o melhor para suas filhas, esperam que seus genros sejam amorosos, cuidadosos, protetores e responsáveis”, acredita. “Nenhum pai quer que sua filha saia de casa para sofrer com um homem qualquer. Ele espera que sua filha possa estar com alguém estruturado para poder construir algo com ela”.

As apresentações causam tensões em ambas as partes. Mas não é preciso encarar os pais dela como inimigos, de acordo com a psicóloga Cida Lessa. “Isso vem em função de uma expectativa, um nervosismo, mas não significa que os pais receberão o homem com hostilidade”. O importante, diz Cida, é encarar como um encontro social, mas sem a preocupação de impressionar.

“Seja natural, pois, se interpretar, os pais dela vão perceber e isso não será bom. Lembre-se de que você está em um ambiente familiar e é um invasor. Então, pense bem no que vai falar e evite intimidades com a namorada na frente deles”. E ainda dá para usar o encontro a seu favor. “Aproveite a visita para conhecer um pouco melhor a namorada: como ela foi educada e de onde vem".

Elizandra concorda que montar um perfil para impressionar não dá certo. “Causar boa impressão é ter atitudes respeitosas e não querer aparecer mais do que realmente é, não se supervalorizar ou mostrar o que não tem. Não ser arrogante, nem coitadinho. É preciso ter equilíbrio emocional e intelectual”, resume.

O sogro, a sogra

Elizandra diz que o homem, na posição de sogro, pode ser mais reservado, justamente para saber quem é este namorado. “Nesses momentos, talvez os homens (sogros) sejam mais observadores que as mulheres (sogras), que tendem logo a colocar suas opiniões sobre as possíveis qualidades e defeitos do genro”, afirma. “Eles preferem perceber com o tempo como o namorado da filha se mostra e se é realmente honesto, responsável e respeitoso".

Mas Cida lembra que o pai costuma ter ciúme da filha e, raramente, achará que sua menininha está preparada para um relacionamento, além de ficar preocupado com o risco de a filha sofrer. “O homem, inconscientemente, tem medo de deixar de ser amado e de ser esquecido. A partir do momento em que a mulher se interessa por outro homem, apesar de ser uma relação completamente diferente, ele sente esse receio".

Por outro lado, não quer um contato muito estreito com uma pessoa que ele não sabe se ficará muito tempo por perto. “O pai, muitas vezes, é mais agressivo porque quer evitar uma proximidade. Não quer se apegar, pois não há como prever quanto tempo vai durar o relacionamento da filha. É uma maneira de não criar expectativas sobre esse relacionamento”.

Nesse aspecto, na opinião de Cida, a mãe encara de uma forma melhor ao ver que a filha tem um namorado. “As filhas, normalmente, conversam com as mães sobre seus relacionamentos”. Por fim, ela reafirma que o importante é não tentar construir uma falsa imagem. “Quando tenta impressionar, o homem se perde. Deixe isso de lado".

sábado, 14 de novembro de 2009

A mãe e o filho

A psicóloga e psicanalista Claudia Finamore (claudia.finamore@uol.com.br) foi entrevistada pelo jornalista Vladimir Maluf, do Portal Ig. Leia a matéria:
(http://estilo.ig.com.br/noticia/2009/11/04/voce+e+um+filhinho+da+mamae+8923955.html)

Você é um "filhinho da mamãe"?
04/11 - 13:38hrs
Avalie se essas características combinam com sua personalidade
Vladimir Maluf

Você é um filhinho da mamãe? Cuidado, a maioria das mulheres foge desse tipo de homem. “Tem mulher que gosta de ter mais um filho em vez de um marido. Mas, digamos que não está na moda”, brinca a psicóloga Claudia Finamore. “De um modo geral, está no imaginário da mulher um homem másculo, protetor, que consiga ocupar a posição de sustento emocional, não só financeiro; uma postura forte, que saiba controlar situações, saiba decidir e gerenciar conflitos”.

O marido que é filho

Claudia explica que esse tipo de homem se coloca na posição de filho, mesmo com a mulher que ele ama, que mantém relações sexuais. “A mulher é quem domina a cena familiar, toma a frente de tudo e o marido acompanha”. E, por mais que não esteja explícito, existem muitos casais assim. “Pode até ser que no campo profissional e das relações sociais ele seja um homem completamente diferente disso; mas, com a parceira, ele é outra pessoa".

Ele quer uma sucessora

Também não é incomum o homem que busca uma sucessora para a mãe. Porém, a maior parcela delas, além de não querer isso, se ofende com comparações. “É uma comparação sem nexo, mas os homens fazem. As atividades até se parecem, mas o papel de mãe e de companheira são completamente diferentes”. Claudia diz que isso cria um conflito familiar. “O que acontece muito é gerar uma rixa entre sogra e nora. Começa uma disputa para ver quem é capaz de fazer aquele homem mais feliz".

Pode dar certo...

Apesar disso tudo, Claudia afirma que não é errado ser assim, desde que se relacione com uma mulher que procure esse tipo de parceiro. “O importante é que os dois combinem. Se essa dinâmica é adequada ao casal, ótimo". Contudo, voltamos à questão: elas gostam disso? As mulheres com quem o iG conversou não são favoráveis a esse comportamento. Exceto uma, que prefere ocultar o nome para preservar o marido.

“Não gosto desse termo ‘filhinho da mamãe’, mas aceito que acabo sendo um pouco mãe do meu marido”, conta a mulher de 45 anos, que é casada e sem filhos e, além de conduzir a casa, a sustenta. “Ele é um homem sensível, tem alma de artista. Eu sempre fui dominadora e independente – até pensei que fosse morrer solteira”, brinca. Por isso, diz ela, o casamento dá certo. “Minha família critica demais nossa relação, mas eu o amo e nos damos bem assim".

Com a palavra, as que odeiam

“Um ‘filhinho de mamãe’ não sabe se virar e tem que recorrer a alguém para tudo”, diz a publicitária Graziele Reis. “É o tipo de cara que não consegue resolver problemas práticos da vida, como trocar um chuveiro, por exemplo”. E, revoltada, ela diz mais. “Não tem espírito de cooperação, fica esperando as coisas prontas. É mimado e infantil”, descreve a jovem de 27 anos. “Odeio homens que não se despregam da barra da saia da mãe. Odeio, odeio, odeio”.

Luciana Ramos, designer de 39 anos, teve um namoro com um homem desse tipo, mas que cortou logo. “A mãe dele fazia drama e ele, claro, caía. Ela era viúva e vivia se fazendo de doente”. Segundo ela, era impossível manter um relacionamento com um homem grudado na mãe desse jeito. “Era uma mãe controladora. Tinha ciúme dele e, por sua vez, ele corria atrás dela a qualquer chamado".

O pior de ser um “filhinho da mamãe”, para a relações públicas Cristiane Anselmo, de 30 anos, é a dificuldade que esse perfil de homem tem de se desenvolver. “Esse tipo de cara é tão mimado que é incapaz de administrar a própria vida, de correr atrás de algum objetivo – se é que consegue ter um”, reclama. “Eu não quero um homem que não deseja crescer, evoluir na profissão e não tem ambições”.

Namorar um mimado está fora de cogitação, diz Helen Soares, 28 anos. A profissional liberal explica que já cometeu esse erro uma vez, mas nunca mais. “Um ‘filhinho da mamãe’ não quer uma mulher, quer uma mãe que substitua a dele quando ela morrer”, avalia. “Tive um namorado que não pegava nem água na cozinha. Queria deitar no sofá e ter tudo na mão. Dizia que era carente, que queria ser cuidado. Comigo, não!”

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Os outros morrem, eu não

Minha amiga, sociologa e psicanalista Nilda Jock (niljock@hotmail.com) escreveu um texto para o site Minha Vida (http://www.minhavida.com.br/conteudo/10174-Os-outros-morrem-eu-nao.htm).


Os outros morrem, eu não
Saber lidar com a existência da morte é necessário

Por Minha Vida Publicado em 21/9/2009

Pensando bem, não é a morte que incomoda os seres humanos, mas o conhecimento de que ela existe. O moribundo nos desestrutura, fragiliza nossas defesas tão bem construídas contra a idéia de que nós também vamos morrer. Por isso temos nos tornado cada vez mais incapazes de dar aos que estão morrendo ou aos que sofreram uma perda muito significativa a ajuda, a atenção devida num dos momentos mais difíceis da vida, seja daqueles que estão partindo e muitas vezes precisam de consolo, de companhia, ou aqueles que estão banhados por um luto dolorido. Ficamos pasmos, constrangidos, embotados.

A civilização tem feito isso, isolando aquele que está agonizante. A morte é tirada de cena, passa por uma dissipação, é interceptada como um estorvo. Claro que tudo com muito cuidado e delicadeza sem deixar, contudo, de ser transformada numa fragmentação. A morte e tudo que lhe diz respeito é apartado, porque ela é a expressão mais desavergonhada da nossa decadência.

Lembro-me quando meu pai morreu. A relutância do meu marido em permitir que os nossos filhos, ainda crianças, fossem ao enterro do avô surgiu. O dilema que fiquei entre expor os despojos de uma vida que para eles foi tão importante e a idéia de que talvez fosse melhor que eles guardassem em suas memórias os olhos azuis vivos e a imagem dele brincando com os netos. Esse argumento venceu o gesto e esquivá-los do confronto com o cadáver do avô, com a morte, sua cor e impassividade própria foi o melhor caminho.

Pois é, isso já faz algum tempo, mas hoje pensando no curso que temos seguido no "processo civilizatório" e no incômodo diante da idéia de morte, me dei conta de que sou uma autêntica representante dos dias de hoje.

A morte é para todos uma situação de angústia primitiva, é o medo irrefreável de dissolução do ego. Um medo com o qual não lidamos, pelo contrário, estamos nos aprimorando em disfarçar esse desconforto peculiar dos vivos perante a agonia de uma vida em consumação. Será que um dia acharemos isso um horror e nos envergonharemos?