terça-feira, 26 de junho de 2012

Convite a Psicanálise


Psicanálise e Vestuário - um artigo de André Paulo Corrêa de Carvalho publicado no blog Convite a Psicanálise

Será o ato de vestirmos calças, camisas, bermudas, saias, gravatas interessante de um ponto de vista psicanalítico? Estes e tantos outros itens de vestuário aparentemente pouco expressivos do nosso cotidiano poderão revelar que são mais do que apenas superfícies, dobras e cores? De outro modo: será que o psicanalista deveria levar em conta (além de tudo que deve considerar) no setting analítico o que o analisando veste? Penso que a análise do que se veste no setting analítico pode ser importante no mínimo para medir a transferência em relação ao analista.

Pode-se fazer uma leitura de um ponto de vista psicanalítico do vestuário que utilizamos no dia-a-dia? O objetivo deste trabalho é discutir os indícios do surgimento do inconsciente observando e analisando as roupas que utilizamos, para isso serão necessários conceitos importantes da psicanálise como: exibicionismo, voyeurismo, narcisismo, fetichismo, transferência, identificação, idealização, prazer auto-erótico, sedução, eu ideal, ideal do eu.

É pouco frequente na literatura psicanalítica análises e interpretações que focalizem o vestuário como um modo de acessar o inconsciente, o assunto parece não merecer ser tratado com profundidade. A moda por exemplo é frequentemente apresentada como assunto superficial demais para ser observado por um instrumento de análise tão profundo como o psicanalítico. No entanto é curioso notar que Sigmund Freud se debruçou sobre eventos de pequena monta, como o ato falho e o chiste, imperceptíveis para outros antes dele, mas muito relevantes para a psicanálise que ainda nascia, detalhes como estes escondem pequenos universos a serem explorados, a análise do vestuário pode ser mais um deles.

Na psicanálise tentamos enxergar o inconsciente e consequentemente o desejo, a escolha do vestuário está inserida na ordem do desejo. O olhar é do sujeito que se vê, a partir do Outro.
A vestimenta de quem a enverga pode representar um ideal ou negá-lo…falar alto sobre a sua sexualidade ou enterrá-la em grossas camadas de tecido…explicitar com todas as cores, uma posição social elevada ou revelar apenas em preto e branco, um desejo de se querer fazer parte dela…definir um grupo social ou uma esconder uma faixa etária…nos fazer explodir de júbilo ou nos implodir de vergonha…revelar nosso ideal do eu ou nosso eu ideal.

De acordo com Lacan o inconsciente está estruturado como se fosse uma linguagem, ora o vestuário é uma forma de linguagem bastante difundida no mundo humano, esta deveria ser interpretada pela psicanálise de forma mais frequente e profunda. O psicanalista Mauro Mendes Dias nos sugere pensar ao dizer que “a alienação da fala como simbólico pode proporcionar ao vestuário um espaço para o simbólico”. O vestir-se não pode ser um fenômeno psicológico simples para aquele que gasta horas em frente ao espelho decidindo-se que roupas usar antes de sair de casa.

Se o que ocorre dentro do setting analítico deve ser observado e analisado pelo psicanalista, o que o paciente veste pode ser um meio de comunicar o que se passa no íntimo sem que se perceba conscientemente. Uma paciente que adentra o consultório analítico vestida de forma exageradamente provocante, desperta que reação de transferência e contra-transferência no analista?

As reações provocadas pelas roupas são diferentes das provocadas pelo corpo?As roupas representam uma interface entre o mundo externo e um mundo interno, será essa camada intermediária mais espessa ou mais fina em mim comparado a você? De que natureza psíquica essa camada é feita? Nas nossas roupas encontramos restos de nossas identificações que estão lá colocadas para quem puder significá-las. A psicanalista Regina Andrade no livro “Plugados na moda” comenta que o corpo e imagem estão relacionados, para Freud o ego é sobretudo corporal. Corpo como eu e moda como construção sobre o corpo.

O ato de querer ser olhado pode revelar uma prematuridade que nos remete a infância, é a mãe que nos veste em primeiro lugar, que tipo de projeção ocorrerá da mãe e do pai no seu filho? O bebe é antecipado pela escolha de suas roupas, cores, móveis, utensílios antes do nascimento, essa criança construída representa o eu ideal? Freud no seu livro “O ego e o id” comenta a natureza inconsciente da anterioridade do visual, sendo mais comum e mais inacessível do que a linguagem. O olhar do outro nos constitui, como naquele primeiro momento da amamentação em que o bebe busca o olhar da mãe. Talvez a busca do olhar do outro seja a busca de reencontrar aquele olhar que caiu sobre nós no momento do nosso nascimento, aquele olhar extasiado sobre nós que para ocorrer necessita apenas que estejamos presentes. Não precisamos fazer ou pensar nada para merecer este olhar, o bebê humano possui aquela dobra narcísica de que não preciso fazer nada, exceto ser admirado.

Como nos descrevemos aos outros, falamos de nossa idade, profissão, interesses, hobbies, mas um dos itens que mais chama atenção em nós, quando não se troca nenhuma palavra é o vestuário, isso nos auxilia a nos descrever para nós mesmos e os outros. No teatro das aparências que é a vida social nas grandes cidades do mundo, as roupas são símbolo de poder e status, as roupas carregam um significado simbólico importante na nossa sociedade, são marcadores sociais, o uso do vestuário é um meio extremamente produtivo de se expressar por meio de metáforas e aliterações. Uso meu corpo para dizer quem sou. A construção de sua imagem pessoal é a sua imagem a partir do olhar do outro.
São frequentes os homens e mulheres que na atual pós-modernidade procuram desesperadamente utilizar roupas da moda que os jovens utilizam (em especial nas “tribos” esportistas, valorizadoras do corpo). Procurar parecer mais jovem, estar entre jovens, ser um dos jovens é evitar olhar para o seu próprio envelhecimento e é claro para sua própria finitude, portanto, se abriria uma janela que impediria os limites impostos pelo tempo e sociedade que pesam sobre os corpos dos mais velhos. Hoje em dia aparentar-se permanentemente jovem (ageless) está na moda…

Em casos como esses não existiriam diferenças entre as gerações! A inveja do adultos pelo jovem pode acarretar o desejo de características físicas dos jovens, mas também de alguns de seus atributos psicológicos, os adultos não quererem assumir seus papeis de adultos. O desejo pelo jovem além disso impede a capacidade de elaboração de quem quer crescer em direção ao modelo que considerava-se melhor, mais velho e experiente. Será que na atualidade são os jovens e crianças que decidem o que os adultos vão vestir? A influência que os atributos físicos dos infantis exercem sobre a psiquê dos adultos não deixa obscura esta resposta.

Paradoxalmente o indivíduo que procura os últimos lançamentos da moda para se sobressair, corre o risco de ser padronizado, daí o grande valor dos itens exclusivos ou únicos. O ato de exibir ostensivamente a etiqueta do designer caríssimo como uma placa de aviso a todos é sinônimo de poder e riqueza. Ostentar uma marca extremamente dispendiosa liga-se ao ideal do eu, a moda como expressão do sujeito. A posição narcisista de ver e ser visto por meio do vestuário pode ser colocado acima de muitos valores e pode ainda para alguns, recompor o narcisismo fragilizado por outras questões. Novamente! ter é ser.

Se sentir desejável e importante graças ao que se veste, como aquele que usa roupas exclusivas demonstra que possui dinheiro, poder e beleza pode ser óbvio, mas usamos as roupas também para fazer parte de um grupo ou para imitar aquele indivíduo que admiramos. Ao imitarmos as roupas daquele ator ou estrela deixamos claro nossa identificação por eles e o desejo de possuir algo daqueles que nos mobiliza ou de certa forma participar de seu sucesso. Por outro lado, a mitológica cena de uma mulher em cólera quando se vê imitada é proverbial, o fato de não permitir se distinguir entre os dois, o original e o clone, motivo máximo para a existência da própria moda, o de se distinguir de todos os outros indivíduos.

As roupas podem estar COBRINDO ou DES-COBRINDO algo sobre nós, como o medo de ser invisível aos outros por exemplo. As roupas que vestimos são parte daquilo que todos percebem em nós em primeiro lugar, antes até de qualquer contato verbal, quem te olha já experimentou muitas sensações sobre a sua pessoa. As roupas tem o objetivo de despertar o olhar do outro. Por um lado vemos mulheres que vivem ocultadas pela burka, por outro, as mulheres viciadas em moda (fashion victim) que podem ser reduzidas de forma caricata a carregadores de cartazes, como os homens sanduíche (walking bilboards) que nas grandes cidades americanas carregam cartazes com propaganda pelas ruas. Para estas últimas mulheres talvez não importe mais a cor, forma, tecido ou modelo e sim a sua etiqueta.

As roupas traduzem o que sentimos dentro de nós mesmos, nos identificam, construímos nossa cultura pessoal através de nossas roupas. Podemos ao olhar a moda de uma época, conhecer quais eram os ideais e valores que lá circulavam, ou seja, as roupas de uma determinada época carregam fortemente símbolos que definem um momento social. Como descreveu muito bem a psicanalista Pascale Navarri ao dizer “o tecido que se manipula a vontade é humano, é a forma de dominar o corpo”.

Os adolescentes observam seu corpo mudar fisicamente de forma inteiramente descontrolada de sua vontade, a imprevisibilidade do futuro do seu corpo é uma questão muito relevante de um ponto de vista consciente e inconsciente. O que pode ser controlado (e escolhido) por um adolescente no seu corpo? Bem, não exatamente no seu corpo, mas no que vai sobre ele, ao escolher roupas que desafiem o status quo. Será o choque que se quer produzir no outro, capaz de aliviar a tensão da dúvida do que seria a exposição do seu corpo real? A segunda pele eu escolho! Um indivíduo que só pode usar roupas que foram doadas de seu irmão mais velho pode se expressar por completo, com a impossibilidade de livremente eleger suas roupas?

Em colégios de ensino fundamental e médio no Brasil é muito frequente que se exija que os seus alunos utilizem uniforme, psicanaliticamente aquele que o utiliza deixa de lado seu narcisismo, para em primeiro lugar ter a disponibilidade para a função exercida, neste caso a escola. Uma leitura deste indivíduo que entra para o mundo escolar é o de deixar de ser um, para ser um entre muitos.
Um super-herói tipicamente nos quadrinhos carrega capa e máscara, escondendo do mundo sua verdadeira identidade ou melhor dizendo o seu alter ego, ou seja, o seu outro eu, essa metáfora se encaixa perfeitamente na fantasia de quando nos vestimos (ou nos fantasiamos) para ir a um encontro social especial, projetar uma imagem que na verdade não temos.

Um super-herói no entanto é distinto de todos os outros quanto a fantasia que utiliza, o Super-Homem. O Super-Homem é o único super-herói que ao contrário dos outros se fantasia de humano, na identidade para lá de humana de Clark Kent. Clark Kent é o disfarce do verdadeiro indivíduo que é o Super-Homem que inclusive carrega roupas feitas de tecido originado de seu planeta natal. Quando nos vestimos, colocamos em nossa imaginação roupas de super-herói ou de quem realmente somos? Será que bem no fundo de nós mesmos queremos apenas voar bem alto no céu azul…

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O Cisne Negro e a Psicanálise

CISNE NEGRO
Um filme de Darren Aronofsky

O ballet “O Lago dos Cisnes”, de Tchaikovsky, é a história de uma princesa que se transforma em um cisne branco e precisa do amor de um príncipe para voltar à vida humana. O príncipe promete salvá-la. Porém, ele se apaixona pelo Cisne Negro, que possui um grande poder de sedução e diz ser a princesa transformada em cisne. O príncipe percebe o engano, e não podendo voltar atrás, e se suicida. O Cisne Branco, diante da sua dor, falece.

No filme, Nina (Natalie Portman) é uma bailarina que recebe o papel principal dessa peça, tendo que representar tanto o Cisne Branco quanto o Cisne Negro. Aqui, o filme já apresenta a questão da cisão, quando a mesma personagem irá representar o Bem e o Mal de modo cindido.

A figura do pai não aparece no filme. E a mãe mostra-se controladora, vivendo em simbiose com a filha. A relação entre ambas torna-se sádica e masoquista, pois uma vivencia o sintoma da outra. A mãe sente-se frustrada por abandonar sua carreira como bailarina diante do nascimento de Nina e projeta nela seu desejo de realização profissional, além de culpá-la pela impossibilidade de sucesso. A filha, por sua vez, assume essa posição, buscando a perfeição e o sucesso como bailarina.

Nina é perfeita para representar o Cisne Branco. Meiga, doce, técnica, perfeita. Mora com a mãe, num quarto cheio de bichos de pelúcia, demonstrando que sua sexualidade é infantil e imatura. Para conseguir interpretar o Cisne Negro, ela precisa se conectar com seu desejo e sua agressividade. Através de um olhar psicanalítico, pode-se aludir que o Cisne Branco é o superego, a imagem colada ao discurso da mãe: menina meiga. O Cisne Negro é o Id, o desejo, a busca pela satisfação do prazer. O ego de Nina é frágil e não consegue mediar o Id e o Superego. O Id aparece, em princípio, nas coceiras e arranhões quando Nina se fere, e mais tarde, nas alucinações e delírios devido a forclusão da formação de compromisso psíquico.

Para possibilitar a representação do Cisne Negro, o diretor Thomas Leroy (Vincent Cassel) provoca o desejo de Nina e a seduz. É a presença masculina que vem se interpor na relação simbiotizada entre mãe e filha. Surge, também, a bailarina substituta Lily, que representa para Nina o Cisne Negro, pois não é tão técnica, nem tão perfeita, porém muito expressiva e sedutora. A partir desse momento, Nina começa a entrar em contato com suas emoções e seus desejos. O ódio pela mãe vem à tona, porém torna-se insuportável devido à culpa. Permite que sua sexualidade seja explorada, mas surgem os conflitos da imaturidade. Então, o Id que adormecia, torna-se desperto, gerando um conflito sem possibilidade de mediação para Nina, que possui um ego tão fragilizado.

Na noite de estréia do ballet, há o desfecho fatal diante de um ego tão frágil. Na busca da perfeição e de realizar o desejo da mãe, Nina precisa representar ambos os cisnes. E assim o faz, com perfeição. Porém, ao representar o Cisne Negro rompe o contrato com sua mãe de filha meiga. Após entrar em contato com representações insuportáveis para si, Nina não encontrou recursos psíquicos para sobreviver. Em seu delírio, mata Lily, o Cisne Negro. Entretanto, percebe que não consegue destruí-la, pois o conflito é interno. Desse modo, a ruptura torna-se real e ocorre no corpo. O Cisne Branco morre, de fato.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dia das Crianças

Em homenagem ao Pitt, um canário-da-terra que viveu por 17 anos em minha companhia, atravessando minha infância e adolescência, aguei cores sobre papel. Em vida trouxe-me alegrias, e em morte, há tempos vivendo no Paraíso dos Pets, deixou-me lindas lembranças.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Vaidade na infância: faz bem ou faz mal?

Uma menina pode fazer a unha no salão de beleza toda semana? Minha filha pediu uma festa de aniversário no cabeleireiro, e agora? Meu filho só sai de casa se passar gel no cabelo! Muitas vezes, para os pais, lidar com essas questões e identificar quais são os limites não é uma tarefa simples, e muitas dúvidas surgem diante das diversas situações da vida de uma criança.
A vaidade na infância pode, ou não, ser saudável, dependerá do modo que se apresenta na vida da criança. Se essa vaidade ajuda a manter os bons hábitos de higiene, como lavar bem os cabelos, tomar banho cuidadosamente, escovar os dentes estará promovendo a saúde da criança. Mas, se a criança decide escovar os dentes dez vezes ao dia para ficarem mais brancos, há um exagero que poderá trazer dificuldades para ela e a família.

Faz parte do universo infantil os filhos se espelharem nos pais e imitá-los. Desse modo, as crianças podem viver diversos papeis e se prepararem para a vida adulta. Então, provavelmente não haverá maiores complicações se uma menina fizer a unha no cabeleireiro numa situação especial. Mas, se isso virar rotina ou se ela não puder brincar para não estragar as unhas, isso merece uma atenção especial dos pais. Se a criança deixa de brincar para não sujar a roupa ou para não despentear os cabelos, pode apresentar um excesso de vaidade prejudicial ao seu desenvolvimento.

É importante diferenciar uma brincadeira de se maquiar em casa, de ir à escola maquiada todos os dias. Os pais devem ensinar aos seus filhos o que é necessário e o que é supérfluo. A criança precisa aprender outros valores além da aparência física, e cabe aos pais ensinar.

Se já houver uma situação de vaidade excessiva instalada e os pais não conseguirem solucionar através do diálogo, é importante que procurem a ajuda de um psicólogo.

Claudia Finamore

terça-feira, 22 de março de 2011

Tatuagem não tem idade

A Psicóloga e Psicanalista Claudia Finamore (http://www.apoiopsi.com.br/) foi entrevistada por Patricia Diguê, da Isto É. (http://www.istoe.com.br/reportagens/104953_TATUAGEM+NAO+TEM+IDADE)

O que leva homens e mulheres a realizarem, na maturidade, o desejo de tatuar a pele

Executivo do ramo financeiro, Cláudio Lorenzetti, 68 anos, adiou por décadas o sonho de ter uma tatuagem por temer o preconceito principalmente no ambiente de trabalho. Este ano finalmente tomou coragem de entrar em um estúdio. Apesar das dores das agulhadas, saiu realizado com o rosto de Jesus Cristo desenhado no braço direito. “Sempre tive vontade de tê-lo aqui no meu corpo”, conta ele, atualmente consultor, que é um católico fervoroso. A esposa, Nilza, da mesma idade, não só aprovou a novidade como também aproveitou a onda e resolveu tatuar uma borboleta no pulso.

Depois de ter conseguido sair do submundo e conquistado as classes média e alta, agora a tatuagem também rompe a barreira da idade. É cada vez mais comum encontrar pessoas com mais de 60 anos nos estúdios e até famílias inteiras decorando o corpo. “Já tatuei um senhor de 80 anos”, conta Fábio Mancha, do estúdio Art Classic, de Santos, que tem percebido o aumento desse público nos últimos dois anos. “Atendo pelo menos duas pessoas por mês com idade entre 50 e 70 anos, a maioria mulheres”, comenta o tatuador.

O fato de os procedimentos terem se tornado mais confiáveis e menos dolorosos ajudou a quebrar o receio dos mais velhos, acredita o dono do Kiko Tattoo, Alexandre Rodrigues, do Rio de Janeiro. “Tatuagem não é mais uma coisa de gente maluca”, diz ele, que possui três lojas dentro de shopping centers cariocas. Esse público, porém, é mais exigente. “Eles só aderiram às tatuagens após o surgimento de equipamentos mais modernos, ambientes mais higienizados e bom atendimento”, afirma Rodrigues. Hoje, os estúdios sérios usam agulhas descartáveis, acessórios esterilizados e tintas de qualidade.

Guinadas de vida também encorajam os mais velhos a encarar a agulha. Só após se separar do marido, que não aprovava a ideia de a mulher ter uma tatuagem, a dona de casa Rosalee Macedo, 63 anos, decidiu fazer uma tattoo. A primeira, uma rosa no tornozelo, veio perto dos 50. A segunda, dois corações e as iniciais do nome no pulso, há dois meses, e a terceira, as iniciais dos quatro filhos, na semana passada. “Fica chique, me sinto mais bonita”, diz ela.

Aumentar a autoestima é a principal vantagem desse tipo de atitude, segundo a psicogeriatra Claúdia Finamore. “Uma pessoa nesta idade se sente mais livre para realizar uma vontade de longa data e isso é muito positivo”, afirma. Ela apenas alerta para que a vontade de parecer mais jovem não se torne uma obsessão. “Realizar um desejo é diferente de negar a idade”, diz. Segundo os tatuadores, não existem restrições para uma pessoa de meia-idade fazer uma tatuagem. E os cuidados logo após o procedimento são os mesmos, como a higienização com sabonete neutro, escondê-la do sol e não mergulhar no mar ou na piscina por um mês.

Foi justamente a sensação de se sentir “mais moleque” que levou o jornalista aposentado Sérgio Pisani, 70 anos, a fazer não somente uma, mas três tatuagens depois dos 60 anos. Ele tem dragões nos braços, um tubarão em uma perna e um símbolo do signo de Peixes na outra, feitos no estúdio Tattoo You, em São Paulo. “Eu achava as tatuagens feias, mas agora elas são feitas de uma forma mais limpa e são mais bonitas”, acredita.

Segundo o tatuador Sérgio Leds, da Led’s Tattoo, de São Paulo, é comum os filhos que se tatuam influenciarem os pais. “A gente atende a família toda”, diz Leds. É o caso da empresária Pinah Ayoub, 58 anos, famosa sambista dos anos 1970 que, quando era destaque da escola de samba Beija-Flor, dançou com o príncipe Charles na avenida. Há duas semanas, ela, o marido e a filha tatuaram o mesmo desenho – as iniciais dos três em símbolos romanos no braço. “Confesso que relutei um pouco, mas adorei o resultado, me sinto renovada”, diz Pinah. Nunca é tarde para realizar um desejo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Como manter o controle emocional

O Controle Emocional é a habilidade de lidar com os próprios sentimentos, adaptando-os conforme a situação e expressando-os de maneira saudável para si e para o grupo no qual está inserido.

O equilíbrio entre razão e emoção é o caminho mais adequado. Os excessos costumam trazer consequências prejudiciais às pessoas. A razão excessiva faz com que o sujeito vivencie e expresse pouco suas emoções, absorvendo para si toda a carga emotiva.

A pessoa mais sensível, que explicita seus sentimentos com facilidade, age por impulso e gera situações sociais desconfortáveis. O conhecimento das emoções e sentimentos do sujeito, bem como dos limites suportados é um primeiro passo para a busca do equilíbrio emocional.

Lidar com a emoção e a razão em proporções que levam o sujeito a colocar-se de modo saudável diante das circunstâncias vividas poderá trazer um modo de vida estruturado, adequado à sociedade e, principalmente, saudável para si mesmo.

Uma pessoa que é tomada pelas emoções, agindo de modo impulsivo, geralmente, envolve-se em relacionamentos conflituosos, perde oportunidades de trabalho, arrepende-se de suas atitudes, gerando tumulto em sua vida e na dos próximos.

Por outro lado, um sujeito que reprime suas emoções, não necessariamente estará utilizando só a razão para resolver suas questões. As emoções podem afetar suas decisões e posicionamentos diante da vida, porém os sentimentos não são expressos.

A falta de manifestação das emoções e dos pensamentos provoca dificuldades na comunicação com outras pessoas, decisões e atitudes pouco efetivas, dificuldades nos relacionamentos pessoais e sociais, e principalmente, a possibilidade de somatização da carga emotiva.

Essa nova geração de jovens adultos, de modo geral, foram crianças que expressaram mais suas emoções e seus desejos, o que é benéfico, pois puderam vivenciar sentimentos e entrar mais em contato consigo mesmo. Tiveram oportunidades de serem autênticos.

Porém, tiveram essa experiência com pouca capacidade de um adulto em impor limites, e até mesmo, saber lidar com suas próprias emoções diante das situações difíceis.

É uma geração que sabe lidar pouco com suas frustrações, mas que possui potencial para adquirir equilíbrio emocional, se assim se propuserem a buscá-lo.

Lidar com frustrações é sofrido e angustiante. Diante dessa dificuldade, muitos acreditam que o caminho é eliminar a emoção da vida. Mas, esquecem que, na tentativa de eliminar a emoção, além de não vivenciar frustrações, tristezas, angústias, ansiedades, também não se vive amor, carinho, alegria, felicidade, conquistas.

Porém, também as frustrações, sentimentos de injustiça podem atuar de um modo positivo, gerando força para mudanças de situações desagradáveis e sofredoras. A sociedade está buscando um ideal de sujeito que não é humano.

A emoção, como também a razão, faz parte do homem e de como ele se manifesta na vida, cada qual com sua singularidade. As diferenças enriquecem a vida e as pessoas, que podem aprender a viver com mais flexibilidade e se adequarem melhor às suas necessidades.

A medida do descontrole emocional é aquela que prejudica a sociedade e o sujeito. Se uma pessoa não consegue lidar com a frustração do trânsito e tem ataques de fúria, dirigindo de modo imprudente e cometendo crimes, coloca a sociedade em risco.

O sujeito que não consegue lidar com a discordância de seu pensamento, e perde seu trabalho por um comportamento impulsivo, coloca a si mesmo em risco.

Nesses casos, é necessária a busca de ajuda profissional. Uma terapia poderá trazer benefícios ao lidar melhor com suas emoções e sentimentos.


Texto da psicóloga e psicanalista Claudia Finamore publicado no site: http://www.minhavida.com.br/conteudo/11972-Como-manter-o-controle-emocional.htm

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010